Estrutura de 300 toneladas usada por povos pré-históricos escondia cemitério antigo em cidade do interior

Localizada em Bom Jardim (PE), a Pedra do Navio revelou urnas mortuárias e objetos de milhares de anos que mudaram a arqueologia; espaço deixa o abandono e vira Parque Municipal

Escondida sob um território por séculos, a imensa formação rochosa de Pernambuco guardava vestígios funerários milenares e agora se prepara para receber turistas de todo o país.

Escondida sob um território por séculos, a imensa formação rochosa de Pernambuco guardava vestígios funerários milenares e agora se prepara para receber turistas de todo o país/Divulgação

Uma estrutura imponente chama atenção pelo seu magnetismo e pela história que guarda. Localizada no município de Bom Jardim, em Pernambuco, a Pedra do Navio carrega um passado fascinante ligado aos povos pré-históricos que habitaram a região. Além disso, o local, segundo pesquisas, teria sido utilizado como cemitério por antigas comunidades que viveram ali durante milhares de anos.

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Na década de 1970, escavações arqueológicas revelaram urnas mortuárias, objetos de adorno e móveis domésticos enterrados na área. Parte desses achados, aliás, hoje está preservada no Museu do Homem do Nordeste, no Recife, e ajuda a contar a história dos primeiros habitantes da região.

Um monólito de 300 toneladas

A pedra em si é um imponente monólito granítico com cerca de 10 metros de altura e aproximadamente 300 toneladas. Sua forma e presença, por si só, já chamam a atenção de quem visita o local. Além da importância histórica, a Pedra do Navio também se destaca pela localização acessível, ela fica a cerca de 2 quilômetros do centro de Bom Jardim. Dessa forma, tornando o ponto um destino curioso tanto para visitantes quanto para pesquisadores.

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Uma história que ficou escondida por décadas

A Pedra do Navio, porém, nem sempre foi tão visível. Por muito tempo, a formação rochosa ficou parcialmente escondida sob a vegetação e a terra acumulada. Somente algumas partes eram visíveis, o que explicaria sua ausência nos registros da cidade desde sua fundação, em 1867.

Foi na década de 1960, com a abertura da PE-88, que a pedra começou a se revelar. E nos anos 1970, vieram as descobertas arqueológicas que mudaram a história do local, urnas funerárias e artefatos que apontam para um possível cemitério pré-histórico.

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Mesmo assim, a pedra foi deixada de lado por anos. Sem estrutura, rodeada por mato e com antigos parquinhos enferrujados ao redor, o local permaneceu esquecido, até agora.

Pedra do Navio vira Parque Municipal

Agora, o espaço finalmente ganhou o reconhecimento que merece. A Pedra do Navio foi transformada em Parque Municipal, com uma área de 8.320 metros quadrados que oferecerá infraestrutura completa para a população e turistas.

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O novo parque contará com área para prática de diferentes atividades esportivas, espaço para exposição e venda de artesanato local, área para eventos, quiosques para lanche e espaço infantil. A revitalização, portanto, não apenas preserva o patrimônio histórico, mas também valoriza o turismo e a cultura da região.

Bom Jardim, aliás, está estrategicamente localizado a cerca de 100 quilômetros do Recife e à mesma distância de Caruaru e de Campina Grande, o que facilita o acesso de visitantes de diferentes regiões.

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Um resgate da memória e da identidade

Com a transformação em Parque Municipal, a Pedra do Navio deixa de ser um ponto esquecido para se tornar um símbolo da história e da cultura pernambucana. O local, que guarda vestígios de povos que viveram há milênios, agora se prepara para receber novas gerações, e, quem sabe, inspirar ainda mais pesquisas e descobertas sobre o passado pré-histórico do Brasil.