Ninguém imaginava que uma frase dita em tom de brincadeira antes da decolagem do Trio Parada Dura acabaria de forma trágica em 6 de setembro de 1982, no interior de São Paulo. Muito menos que um acidente aéreo marcaria para sempre a trajetória do grupo e mudaria o destino de seus integrantes no auge do sucesso nacional.
Naquela época, o trio formado por Creone, Barrerito (1942-1998) e Mangabinha (1942-2015) vivia uma rotina intensa de apresentações no Brasil. A agenda lotada tornava as viagens aéreas frequentes, e foi em uma delas que ocorreu o episódio que redefiniu o gênero sertanejo.
Antes do embarque no Campo de Marte, o radialista Zé Béttio (1926-2018) comentou com o piloto: “Cuidado, hein? Vai matar meu trio”. A fala, recordada por Creone em entrevistas posteriores, passou a ser vista como um presságio do desastre.
Falhas na tentativa de pouso
A aeronave decolou sob chuva forte com destino a Cruzília (MG). Após uma parada técnica para abastecimento em Campinas, as condições climáticas se deterioraram, dificultando a navegação. Diante da perda de referência visual, o piloto optou por tentar um pouso de emergência em Espírito Santo do Pinhal para localização.
Contudo, a manobra falhou, enquanto a pista curta e as rajadas de vento impediram a aterrissagem segura. Ao tentar arremeter, o piloto perdeu o controle do monomotor, que acabou caindo. “Ele falou: ‘Nós temos que descer aqui, em qualquer lugar, agora’“, recorda Creone, em entrevista ao g1 sobre os momentos que precederam o impacto.
Consequências para o Trio Parada Dura
Embora todos os ocupantes tenham sobrevivido, o impacto deixou sequelas permanentes. Creone sofreu a fratura de três costelas, mas o caso de Barrerito foi o mais severo: uma lesão grave na coluna o deixou paraplégico. O cantor percebeu a gravidade da situação ainda nos destroços. “Eu falei para ele descer, e ele respondeu: ‘Eu não sinto nada nas minhas pernas’”, relembra o companheiro de palco.
Mesmo com as limitações físicas, Barrerito retornou aos palcos junto ao trio sertanejo até meados de 1987. A imagem do cantor em uma cadeira de rodas, posicionado entre os colegas, tornou-se um símbolo de resiliência. Para o pesquisador André Piunti, essa formação é uma das mais emblemáticas da música brasileira, mantendo um repertório que atravessa gerações.
Carreira solo e o legado de “Cadeira Amiga”
Com o tempo, a logística de viagens tornou-se um obstáculo. Barrerito decidiu deixar o grupo para seguir carreira solo, evitando novos voos e abrindo espaço para seu irmão, Parrerito (1953-2020), assumir a vaga definitivamente. Em sua nova fase, o artista transformou o trauma em arte com a canção “Cadeira Amiga”, onde descreveu sua condição como um “presente que não desejava a ninguém”, sem perder a fé.
Relembre os principais sucessos do Trio Parada Dura no vídeo abaixo.






