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Cientistas já confirmaram que a água do lago possui uma pureza óptica excepcional, com visibilidade entre 70 e 80 metros
O aumento da popularidade acendeu um alerta entre conservacionistas e a tribo local / Wikimedia Commons/Squashem
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No coração do Parque Nacional de Nelson Lakes, na Ilha do Sul da Nova Zelândia, encontra-se um pequeno lago de tons azul-violeta cercado por florestas alpinas íngremes. Batizado pelos Ngāti Apa como Rotomairewhenua — que significa "o lago de terras pacíficas" — o local é considerado sagrado, tendo sido utilizado historicamente para rituais que garantiam aos espíritos uma viagem segura até a terra ancestral.
Há cerca de uma década, cientistas confirmaram que a água do lago possui uma pureza óptica excepcional, com visibilidade entre 70 e 80 metros, o que o tornou a água doce visualmente mais clara já registrada.
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Esse título e as fotos deslumbrantes viralizaram nas redes sociais, transformando o destino em um local muito procurado por turistas, especialmente entre dezembro e março.
O aumento da popularidade acendeu um alerta entre conservacionistas e a tribo local. A maior preocupação é a lindavia, uma alga microscópica invasora vinda da América do Norte e conhecida como "lodo do lago".
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Segundo o pesquisador Phil Novis, a espécie produz uma substância viscosa que, embora não seja tóxica, pode obstruir filtros e comprometer a clareza única da água.
A alga é transportada principalmente por seres humanos em gotículas de água, garrafas ou nas botas de caminhantes.
Para Jen Skilton, ecóloga da fundação Ngāti Apa ki te Rā Tō Trust, a entrada desse microrganismo teria consequências graves para a saúde global do ecossistema e para a identidade cultural do povo que mantém uma ligação viva com o local.
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Para proteger o ecossistema, o Departamento de Conservação da Nova Zelândia e as lideranças Māori implementaram medidas de biossegurança:
Estações de limpeza: Caminhantes devem higienizar calçados e equipamentos nas estações instaladas ao longo do percurso antes de acessar Rotomairewhenua.
Proibição de contato: Os visitantes são instados a não tocar na água, seja para nadar, lavar toalhas ou mergulhar câmeras.
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Significado sagrado: A proibição do contato ocorre porque a água é considerada tapu (sagrada), e entrar nela é visto como uma violação dessa santidade.
Educação no local: Durante o verão, guardas florestais permanecem junto ao lago para explicar os riscos e a importância espiritual da região.
Desde a publicação das pesquisas sobre a clareza do lago, o número de visitantes mais do que dobrou. Melissa Griffin, guarda-florestal do Departamento de Conservação, observa que o destaque nas redes sociais atraiu pessoas para uma zona que antes era pouco frequentada.
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Isso gera impactos logísticos e ambientais, como a necessidade de voos de helicóptero para a manutenção de infraestruturas básicas no interior do parque.
Embora as autoridades prefiram a conscientização à restrição de acesso, guardas-florestais como Janet Newell notam que ainda existe um desafio em fazer com que os turistas ajam proativamente, já que muitos acreditam que o problema de contaminação reside apenas nas ações dos outros.
No fim, conforme destaca Skilton, cabe a cada visitante assumir a responsabilidade de minimizar seu impacto para salvaguardar a ecologia e a cultura do lago para o futuro.
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