Por que uma das bandas mais bem-sucedidas e lucrativas da história do rock também é uma das mais detestadas por seus próprios pares? Com 50 anos de carreira, o U2 vendeu milhões de discos, revolucionou as turnês e emplacou hinos como “With or Without You” e “One”.
No entanto, o gigantismo comercial do quarteto liderado por Bono Vox nunca foi sinônimo de unanimidade. Ao longo das décadas, o grupo irlandês virou alvo de críticas que questionam desde sua relevância musical até a postura messiânica de seu vocalista.
O rancor de parte da cena musical mira a personalidade de Bono e a transformação da banda em uma corporação global. O vocalista do Oasis, Liam Gallagher, é um dos que atacam a postura do grupo. Para ele, os irlandeses apenas “se fazem passar” por uma banda de rock, ironizando o fato de nunca ter visto Bono fazer nada genuinamente rebelde.
Na mesma linha, Ian McCulloch, líder do Echo & the Bunnymen, também expressa antipatia pelo colega de profissão. Ele já afirmou publicamente que Bono é “um babaca de verdade” e disse que, em Liverpool, o U2 nunca foi levado a sério.
Veja algumas curiosidades sobre o U2
“Azeitona” na engrenagem pop
A rejeição também se estende às suas parcerias de estúdio. Como é o caso de Henry Rollins, ex-vocalista da influente banda de hardcore Black Flag. O artista disparou contra as habilidades técnicas dos músicos, classificando Larry Mullen Jr. e Adam Clayton como “a seção rítmica mais arrastada e brega que já lotou um estádio”.
Nem mesmo o aclamado produtor Brian Eno escapou dos comentários de Rollins, que definiu o seu trabalho como “discos medíocres com uma banda ruim atrapalhando”.
O ápice do desgaste da imagem do U2 com a comunidade artística ocorreu em 2014, com o lançamento do álbum “Songs of Innocence”. Na ocasião, a banda fechou um acordo milionário com a Apple para inserir o disco automaticamente na biblioteca dos usuários do iTunes.
A estratégia de marketing agressiva foi vista como uma afronta à cadeia produtiva da música. Segundo Patrick Carney, baterista do The Black Keys, a ação “desvalorizou” o mercado e enviou uma mensagem contraditória para artistas independentes que lutavam para sobreviver.
Músicos ou magnatas?
O casal Ozzy e Sharon Osbourne também reagiu duramente ao episódio do iTunes. Enquanto Sharon decretou que o U2 havia se transformado em um grupo de “magnatas dos negócios, não músicos”, o astro do rock confessou que, embora gostasse dos primeiros trabalhos da banda, o tom moralista e supostamente artificial de Bono o irritava profundamente.
Há um consenso sobre o “ódio” ao U2?
Embora as críticas sejam variadas, existe um padrão claro entre os artistas que atacam o U2. O principal alvo costuma ser Bono Vox, cuja atuação política e humanitária divide opiniões. Muitos músicos veem o cantor como excessivamente sério, moralista ou desconectado da realidade do rock.
Outro ponto recorrente é a percepção de que o U2 se transformou em uma marca corporativa, mais associada a grandes estratégias de negócios do que à espontaneidade artística.
Ainda assim, não há consenso de que o grupo seja ruim musicalmente. Pelo contrário, mesmo críticos costumam reconhecer a importância histórica de álbuns como “The Joshua Tree” e “Achtung Baby”.
Apesar das disparidades, o U2 continua sendo um caso de grupo amado por milhões e rejeitado com igual intensidade por parte da própria indústria musical. A mesma situação ocorre com Nickelback e com a banda brasileira Jota Quest.








