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Por que as árvores não morrem de câncer? Entenda o que são os chamados 'tumores vegetais'

Estrutura celular rígida e sistema vascular limitado impedem a disseminação da doença nas árvores

Luna Almeida

Publicado em 20/02/2026 às 21:38

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Isso acontece porque a própria anatomia vegetal impede a propagação descontrolada das células alteradas / Imagem gerada por IA

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Ao contrário dos animais, as plantas praticamente não desenvolvem câncer da forma como ele ocorre no corpo humano. Embora árvores e outras espécies vegetais possam apresentar crescimentos celulares anormais, esses tumores raramente se tornam sistêmicos ou letais. 

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Isso acontece porque a própria anatomia vegetal impede a propagação descontrolada das células alteradas.

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Um levantamento recente, com base em análises de especialistas em botânica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que as plantas possuem mecanismos naturais que funcionam como uma barreira biológica contra a metástase — processo responsável pela gravidade do câncer em animais.

Estrutura impede a disseminação

Nos seres humanos e em outros animais, o câncer se torna perigoso quando células malignas se desprendem do tumor original e se espalham pela corrente sanguínea, atingindo outros órgãos. Nas plantas, esse fenômeno praticamente não ocorre por dois motivos principais.

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O primeiro é a presença de uma parede celular rígida. Diferentemente das células animais, envolvidas apenas por uma membrana flexível, as células vegetais possuem uma estrutura externa resistente que as mantém fixas no tecido, dificultando qualquer migração.

O segundo fator é o sistema vascular vegetal. Enquanto o sangue humano transporta células inteiras, o xilema e o floema — responsáveis pela circulação nas plantas — conduzem apenas água, açúcares e substâncias dissolvidas, sem capacidade de deslocar células completas pelo organismo.

Crescimentos anormais não significam câncer

As deformações observadas em troncos, galhos ou folhas geralmente não são tumores malignos. Na maioria dos casos, tratam-se de respostas da planta à presença de organismos parasitas.

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Entre as ocorrências mais comuns estão as galhas simples, estruturas formadas após a ação de insetos ou ácaros. Elas surgem como uma reação de defesa e podem parar de crescer caso o parasita seja eliminado.

Também existem alterações provocadas por vírus, fungos ou bactérias, capazes de interferir na produção hormonal ou até na expressão genética da planta para criar um ambiente favorável à própria sobrevivência. 

Ainda assim, essas formações costumam permanecer localizadas e dificilmente comprometem a vida da árvore.

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Sobrevivência mesmo com alterações genéticas

Mesmo quando há mudanças no DNA das células vegetais, a falta de mobilidade celular impede que o problema se espalhe pelo organismo. Assim, a planta pode continuar crescendo e se desenvolvendo normalmente, ainda que apresente deformações visíveis.

Em resumo, o que parece um tumor agressivo em uma árvore geralmente é apenas uma adaptação biológica a fatores externos. 

A própria arquitetura das plantas funciona como um escudo natural contra doenças sistêmicas, explicando por que o câncer, como conhecemos nos animais, praticamente não existe no reino vegetal.

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