Ouvir melhor no barulho: por que fechar os olhos é o pior erro que você pode cometer

Pesquisa revela que a visão atua como uma âncora para a audição em locais ruidosos e que bloquear os olhos prejudica a identificação de sons

Os resultados apontaram que o envolvimento visual ajuda a guiar o sistema auditivo / Imagem gerada por IA

Muitas pessoas possuem o hábito instintivo de fechar os olhos para tentar focar a audição em locais com muito barulho, como salas de embarque de aeroportos ou rodoviárias. A intenção costuma ser eliminar distrações visuais para captar um anúncio importante ou uma conversa específica.

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No entanto, descobertas científicas recentes da Universidade Shanghai Jiao Tong indicam que essa estratégia pode não ser tão eficiente quanto se imaginava, sugerindo que a visão exerce um papel fundamental na distinção de sons em ambientes caóticos.

O estudo publicado na revista Acoustical Society of America utilizou voluntários equipados com fones de ouvido para identificar ruídos específicos, como o som de remadas, pássaros ou o clique de um teclado, em meio a um fundo ruidoso.

Os testes ocorreram em quatro situações distintas: com olhos fechados, olhando para uma tela em branco, observando uma imagem estática e assistindo a um vídeo correspondente ao áudio.

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Os resultados apontaram que o envolvimento visual ajuda a guiar o sistema auditivo, enquanto o isolamento da visão dificulta a detecção dos sinais sonoros.

O impacto visual na percepção dos decibéis

Os pesquisadores notaram uma variação clara na sensibilidade auditiva conforme o estímulo visual oferecido.

Quando os participantes estavam de olhos fechados, eles precisavam que o som estivesse cerca de 1,32 decibéis mais alto do que o ponto de referência neutro para conseguirem identificá-lo.

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Já ao olharem para uma imagem relacionada ao que ouviam, a capacidade de detecção melhorava, permitindo que ouvissem o som mesmo quando ele estava 1,6 decibéis mais baixo do que o padrão inicial.

A maior eficiência foi registrada durante a exibição de vídeos dinâmicos. Nessa etapa, os voluntários conseguiram identificar o áudio alvo com o volume 2,98 decibéis mais baixo em comparação ao cenário de referência.

Yu Huang, um dos autores do trabalho, explica que assistir a imagens em movimento que correspondam ao som potencializa a sensibilidade auditiva de forma significativa, contrariando a crença popular de que o foco interno facilitaria o processo em ambientes barulhentos.

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O filtro cerebral e a criticidade neural

Para compreender o que ocorre no organismo, a equipe utilizou exames de eletroencefalograma para monitorar a atividade cerebral.

Os dados mostraram que o ato de fechar as pálpebras coloca o cérebro em um estado chamado criticidade neural. Nessa condição, o sistema nervoso passa a filtrar de forma muito agressiva tanto o ruído de fundo quanto os sons suaves.

Esse excesso de filtragem acaba eliminando justamente os sinais que a pessoa está tentando captar, tornando o esforço de concentração contraproducente.

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Huang detalha que, em um local ruidoso, o cérebro precisa trabalhar ativamente para separar o sinal importante do barulho ambiente.

O foco interno gerado ao fechar os olhos acaba atrapalhando essa tarefa, enquanto o estímulo visual serve para conectar o sistema auditivo ao ambiente externo.

É importante notar que essa conclusão vale especificamente para situações de muito barulho. Em locais silenciosos, a técnica de fechar os olhos ainda é válida para perceber sons extremamente sutis e delicados.