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Descobertas em Gibraltar revelam que nossos "primos" eram muito mais inteligentes do que imaginávamos e podem ter sobrevivido mais tempo do que a ciência supunha
Achados em falésias do Mediterrâneo provam que eles usavam fogo para fabricar ferramentas e criavam símbolos milhares de anos antes do previsto / Divulgação/Visit Gibraltar
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Nas falésias de Gibraltar, às margens do mar Mediterrâneo, um conjunto de cavernas preserva uma história guardada por milhares de anos.
A Caverna de Gorham e outras formações próximas funcionam como uma verdadeira cápsula do tempo, ajudando os cientistas a entender melhor como viviam os neandertais, sua inteligência e possivelmente onde eles passaram seus últimos anos.
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As escavações, iniciadas nos anos 1980, revelaram muitos vestígios, mesmo sem a presença de esqueletos. Foram encontradas grandes quantidades de conchas de mexilhão e ossos de golfinhos e focas com marcas de corte.
Esses achados mostram que os neandertais se alimentavam de recursos do mar há pelo menos 100 mil anos, muito antes da chegada do Homo sapiens à região.
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Os estudos também indicam que esses grupos tinham habilidades avançadas. No chão da caverna, há marcas entalhadas na rocha com mais de 39 mil anos, que podem representar algum tipo de símbolo ou forma simples de arte.
Já na Caverna Vanguard, os arqueólogos identificaram uma antiga lareira, com cerca de 60 mil anos, usada para produzir uma espécie de cola feita de alcatrão de bétula, utilizada na fabricação de ferramentas. Isso mostra conhecimento técnico e troca de saberes entre gerações.
Uma das descobertas mais importantes aconteceu em 2021, quando arqueólogos encontraram uma câmara da Caverna Vanguard que ficou fechada por cerca de 40 mil anos.
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Dentro desse espaço, foram achados ossos de animais como lince, hiena e abutre, além de uma concha marinha, o que indica que o local pode ter tido algum significado especial para os neandertais.
As datações mais recentes sugerem que a Caverna de Gorham pode ter sido ocupada entre 33 mil e 24 mil anos atrás. Isso vai contra a ideia mais aceita até hoje, de que os neandertais desapareceram da Europa há cerca de 40 mil anos.
Se essas informações forem confirmadas, Gibraltar pode ter sido um dos últimos refúgios dos neandertais. O local, rico em recursos naturais, pode ter permitido que pequenos grupos sobrevivessem isolados por mais tempo.
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Assim, as cavernas da região guardam importantes pistas sobre a resistência, a adaptação e os últimos momentos dessa antiga espécie humana.