Elas aparecem nas arquibancadas de grandes estádios, acumulam milhões de seguidores nas redes sociais, fecham contratos publicitários milionários e ditam tendências de moda.
Conhecidas mundialmente como WAGs, as esposas e namoradas de atletas deixaram de ser apenas personagens secundárias no universo esportivo para se tornarem protagonistas de um fenômeno cultural e econômico que movimenta muito dinheiro.
A sigla WAG vem da expressão em inglês Wives and Girlfriends, que significa esposas e namoradas, e é usada para se referir às companheiras de atletas de alto rendimento, especialmente jogadores de futebol.
Embora hoje esteja associada ao glamour e à influência digital, a origem do termo é bem mais controversa.
A origem do termo nos tabloides britânicos
A expressão começou a ganhar força na imprensa britânica no início dos anos 2000, mas explodiu definitivamente durante a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha.
Na época, os tabloides acompanharam obsessivamente a rotina das parceiras dos jogadores da seleção inglesa, transformando suas viagens, compras e aparições públicas em manchetes diárias.
O grande símbolo daquele período foi Victoria Beckham, ex-integrante das Spice Girls e mulher do craque David Beckham. Sua popularidade foi tão avassaladora que ela acabou sendo considerada a WAG original, tornando-se a principal referência para uma geração inteira de companheiras de atletas.
A partir daquele momento, o termo passou a ser utilizado globalmente para identificar companheiras de esportistas famosos.
O debate sobre o rótulo e o machismo
Apesar da popularidade, a expressão nunca foi uma unanimidade. Críticos apontam que o termo reduz as mulheres aos seus relacionamentos amorosos, ignorando carreiras, negócios e conquistas próprias.
Ao longo dos anos, diversas parceiras manifestaram publicamente o desconforto com o rótulo, considerado por muitas delas como ultrapassado e machista.
Esse debate ganhou ainda mais força porque muitas dessas mulheres construíram trajetórias independentes e bem-sucedidas.
Em vez de viverem à sombra dos companheiros, elas passaram a ocupar um espaço próprio na mídia, no mundo dos negócios e nas redes sociais.
Influenciadoras, empresárias e donas de impérios
Se nos anos 2000 os tabloides focavam principalmente no estilo de vida luxuoso das companheiras dos atletas, hoje muitas delas possuem carreiras tão ou mais lucrativas do que as dos próprios parceiros.
Um dos exemplos mais conhecidos atualmente no Brasil é Virginia Fonseca, ex namorado do jogador Vini Jr.
A influenciadora e empresária lidera rankings de engajamento e riqueza graças ao império construído nas redes sociais, no mercado publicitário e com suas marcas próprias de cosméticos e bem-estar.
Outro nome frequentemente associado a esse universo é Bruna Biancardi, que ganhou projeção internacional como parceira e mãe das filhas de Neymar Jr, mas também consolidou sua presença no mercado como influenciadora de moda e lifestyle.
No cenário internacional, destacam-se ainda Georgina Rodríguez, esposa de Cristiano Ronaldo, Antonela Roccuzzo, casada com Lionel Messi, e a própria Victoria Beckham, que transformou sua fama em um império de moda e beleza avaliado em centenas de milhões de dólares.
O poder de ditar tendências e o controle da narrativa
A influência desse grupo vai muito além do esporte, sendo responsável por impulsionar tendências globais de consumo. Um exemplo recente aconteceu durante os jogos da Seleção Brasileira, quando diversas companheiras de jogadores apareceram usando bolsas Birkin e Kelly, avaliadas em mais de 100 mil reais.
Diante disso, grifes de alta costura, joalherias e marcas de cosméticos disputam contratos publicitários com elas.
Especialistas apontam que a principal diferença entre as pioneiras de 2006 e as atuais está no controle da própria narrativa. No passado, a imagem dessas mulheres era construída quase que exclusivamente pela lente dos tabloides sensacionalistas.
Atualmente, plataformas como Instagram, TikTok e YouTube permitem que elas conversem diretamente com o público, gerenciem suas marcas pessoais e monetizem a própria audiência.
Duas décadas após a explosão do termo, o significado de WAG mudou profundamente. Se antes a expressão descrevia apenas acompanhantes de esportistas, hoje ela define um grupo que movimenta a economia digital e acumula fortunas próprias.
Embora o termo continue gerando controvérsias, as WAGs provaram que deixaram de ser coadjuvantes para se tornarem uma das forças femininas mais influentes da cultura pop contemporânea.






