A castração de animais de estimação figura entre os assuntos mais debatidos pelos tutores em todo o país. O procedimento cirúrgico atinge mais da metade da população pet brasileira, visto que cinquenta e dois por cento dos bichos cadastrados no Sistema do Cadastro Nacional de Animais Domésticos já passaram por essa intervenção médica.
Apesar dessa enorme popularidade, o tema ainda gera muitas dúvidas diárias, principalmente sobre as alterações nas atitudes dos cães e dos gatos.
O especialista em comportamento animal André Cavalieri explica que a cirurgia atua como uma aliada fundamental para o bem-estar das espécies, mas não funciona como uma solução mágica para todas as dificuldades de convivência na casa.
O impacto direto nos hormônios e na reatividade
A redução da ação hormonal reflete diretamente nas atitudes impulsivas ligadas à reprodução. Por isso, os donos costumam observar uma queda expressiva nas fugas perigosas em busca de parceiros.
Do mesmo modo, a diminuição da testosterona afeta positivamente a rotina dos machos, reduzindo bastante as antigas disputas territoriais e o hábito incômodo de marcar os móveis com urina.
Consequentemente, muitos animais se tornam bem menos reativos em situações específicas de competitividade.
Essa queda na intensidade hormonal ajuda imensamente a promover uma convivência muito mais pacífica entre os moradores da residência e os outros animais vizinhos.
A preservação da personalidade e a importância da rotina
Entretanto, o profissional da área de cuidado animal esclarece que a personalidade original do bicho permanece exatamente a mesma. O animal mantém a sua essência primária, o seu nível de energia e as suas características individuais intactas após a recuperação.
Além disso, as atitudes originadas por questões puramente emocionais, como o medo, a insegurança ou a falta de socialização prévia, não desaparecem automaticamente com a operação.
Portanto, um gato ou um cachorro que vive sob alto estresse continuará apresentando fortes traços de ansiedade e comportamentos destrutivos. Para evitar esses problemas, os tutores precisam oferecer um bom enriquecimento ambiental diário e um manejo adequado.
Assim, a oferta constante de estímulos mentais e físicos aliada aos cuidados com a saúde forma o conjunto perfeito para garantir a qualidade de vida do bicho de estimação.
