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O fim das balsas: A megaestrada submarina de 27 km que desafia a pressão do oceano

Conheça o projeto Rogfast, a estrutura colossal que está enterrando a dependência de travessias marítimas lentas

Nathalia Alves

Publicado em 16/02/2026 às 19:45

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O plano ambicioso para criar uma via expressa contínua através de rochas submarinas e abismos oceânicos / Reprodução/Xataka

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Uma rodovia sob o oceano promete revolucionar o transporte na costa oeste do país, substituindo balsas por um caminho expresso de 27 quilômetros escavado na rocha submarina.

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Não é novidade que a tecnologia está encurtando distâncias e conectando pessoas, mas a Noruega decidiu levar essa premissa a um novo patamar, literalmente mais fundo. Desde 2018, o país escava o Rogfast, um túnel rodoviário que ficará a quase 400 metros abaixo do nível do mar, sob o fiorde de Boknafjord.

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Com inauguração prevista para 2033, a estrutura de 27 quilômetros de extensão não só se tornará o túnel submarino mais longo e profundo do mundo, como também promete enterrar de vez a dependência da região das lentas e caras travessias de balsa.

Túnel de 27 km sob o oceano terá rotatória a 260 metros de profundidade./Divulgação
Túnel de 27 km sob o oceano terá rotatória a 260 metros de profundidade./Divulgação
Nova rota submarina vai encurtar viagens em até 40 minutos na costa./Divulgação
Nova rota submarina vai encurtar viagens em até 40 minutos na costa./Divulgação
Recorde submarino: a 400 metros de profundidade sob o leito do oceano./Divulgação
Recorde submarino: a 400 metros de profundidade sob o leito do oceano./Divulgação

Adeus às balsas, olá para a E39 sem gargalos

A costa oeste norueguesa é famosa por seus fiordes profundos, que há séculos forçam a população a depender de ferries para se deslocar.

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O Rogfast é a peça central do ambicioso plano nacional "E39 sem balsas", que visa transformar a rodovia em uma via expressa contínua.

Hoje, percorrer todo o trecho da E39 exige cerca de 21 horas de viagem, incluindo sete travessias marítimas. Com o novo túnel, a ligação entre as cidades de Stavanger e Haugesund será encurtada em até 40 minutos, tornando o trajeto mais rápido, seguro e imune às intempéries climáticas.

Um dos elementos mais curiosos do projeto é uma rotatória dupla subterrânea a 260 metros de profundidade, que fará a conexão com a pequena ilha de Kvitsøy, garantindo que o município menos populoso do país também seja beneficiado pela megaestrutura.

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Tecnologia de precisão para domar a pressão do mar

Construir uma estrada sob o leito oceânico é um exercício de engenharia extrema. A escavação acontece simultaneamente de ambos os lados do fiorde, e o grande desafio é fazer com que as duas frentes de obra se encontrem no meio com um desvio máximo de apenas 5 centímetros.

Para atingir essa precisão cirúrgica, os engenheiros utilizam scanners a laser de alta resolução, que criam um "gêmeo digital" do túnel em tempo real. Essa réplica virtual permite monitorar cada metro escavado, comparando-o com o projeto original e corrigindo desvios antes que se tornem um risco.

Outro inimigo silencioso é a pressão da água salgada. Em profundidades que já ultrapassam os 300 metros, vazamentos são comuns. A solução tem sido a injeção constante de cimento de alta performance para selar a rocha e garantir a segurança dos trabalhadores e, futuramente, dos motoristas.

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Segurança em primeiro lugar (e em túneis duplicados)

Viver sobre a pressão do oceano exige um plano de evacuação à prova de falhas. Por isso, o Rogfast será composto por dois túneis paralelos, cada um com duas faixas, interligados por passagens de emergência a cada 250 metros. Em caso de acidente ou incêndio, os motoristas poderão evacuar rapidamente para a galeria vizinha.

O sistema de ventilação combinará fluxo de ar longitudinal com poços de exaustão que sobem até a superfície na ilha de Kvitsøy, garantindo a renovação do ar e o controle de fumaça.

Câmeras, sensores e radares vão monitorar o tráfego 24 horas por dia, detectando automaticamente qualquer anomalia.

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O custo dessa obra faraônica está estimado em cerca de 25 bilhões de coroas norueguesas (aproximadamente R$ 12,48 bilhões).

Um investimento alto, mas que a Noruega aposta como a chave para integrar definitivamente seu território recortado pela natureza, provando que, às vezes, o caminho mais rápido entre dois pontos está mesmo no fundo do mar.

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