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O chão está abrindo na África e cientistas confirmam que o fenômeno é irreversível

Fissuras profundas destroem estradas e emitem gases do manto terrestre enquanto placas tectônicas se afastam no Quênia

Nathalia Alves

Publicado em 24/01/2026 às 13:45

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Estudo recente revela que falhas geológicas profundas estão dando origem a um novo braço de mar entre a Etiópia e Moçambique. / Reprodução/ NASA - Wikipedia

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Uma cicatriz colossal está rasgando o leste da África, estendendo-se por milhares de quilômetros desde o Chifre da África até Moçambique, atravessando países como Etiópia, Quênia, Tanzânia e a República Democrática do Congo.

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Conhecido como o Grande Vale do Rift, este não é apenas um acidente geográfico impressionante, mas a prova visível de que o continente africano está literalmente se partindo em dois — um processo que pode, em milhões de anos, dar origem a um novo oceano.

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Pesquisas recentes, incluindo um estudo fundamental publicado na revista Nature Scientific Reports em 2023, confirmam que as fissuras que surgem na superfície não são erosões superficiais, mas rachaduras profundas que refletem a ruptura da crosta terrestre. O fenônio é impulsionado pelo afastamento gradual de duas placas tectônicas: a Placa Africana e a Placa Somali.

O processo geológico em ação

A separação ocorre porque o manto quente e fluido sob a crosta está empurrando as placas para lados opostos, esticando e afinando a terra até que ela se rompa. Esse mesmo mecanismo geológico já separou continentes no passado, como no caso da América do Sul e da África, que deram origem ao Oceano Atlântico.

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No Quênia, onde o fenômeno é especialmente ativo, cientistas mapearam 22 pontos de fissuras profundas conectadas diretamente a falhas geológicas antigas. Essas rachaduras não apenas deformam o solo, mas também emitem gases como metano (CH) e dióxido de enxofre (SO), provenientes do manto terrestre.

Impactos imediatos e riscos atuais

Enquanto a formação de um novo oceano é uma projeção para daqui a milhões de anos, os efeitos atuais já são concretos e preocupantes.

Estradas foram destruídas, trilhos de trem deformados e propriedades divididas por rachaduras que surgem abruptamente. Em algumas comunidades rurais, há relatos de animais que caíram em fendas e famílias que convivem com o risco diário de ver o solo abrir sob seus pés.

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Além dos danos físicos, há riscos ambientais: as fissuras podem servir como condutos para a contaminação de aquíferos, permitindo que gases e sedimentos do subsolo poluam fontes de água essenciais para a população.

Vulcões, terremotos e um futuro oceânico

A região do Vale do Rift é um dos sistemas vulcânicos mais ativos do mundo, com montes como Suswa, Longonot e Olkaria constantemente monitorados. Essa atividade sísmica e vulcânica não é coincidência: é um sintoma direto do estiramento e afinamento da crosta.

Caso o processo de separação continue no ritmo atual — estimado em alguns milímetros a centímetros por ano —, a porção leste da África (incluindo a Somália, parte da Etiópia, Quênia e Tanzânia) pode se desprender completamente.

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A depressão resultante seria inundada pelas águas do Oceano Índico, criando um novo mar entre a África “continental” e o novo subcontinente a leste.

A resposta da ciência

Geólogos e sismólogos estão intensificando o monitoramento da região com uma rede de sensores, imagens de satélite, drones e análises químicas de gases. O objetivo é não apenas entender a escala e a velocidade da separação, mas também desenvolver modelos preditivos para mitigar riscos à população.

O Grande Vale do Rift oferece, assim, um raro vislumbre em tempo real de uma das forças mais poderosas do planeta: a dinâmica incessante das placas tectônicas, esculpindo a face da Terra diante de nossos olhos.

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