Sem prefeitura e com muita horta, os moradores aproveitam um estilo de vida alternativo / Divulgação/Visit Almere
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Em um experimento que redefine os limites entre o urbano e o rural, o bairro de Oosterwold, a leste de Amsterdã, impõe uma condição incomum para quem deseja morar lá, dedicar pelo menos metade do terreno à produção de alimentos.
A regra, parte de um plano pioneiro de “autoorganização”, transformou 43 km² em um laboratório vivo de agricultura urbana, autonomia e comunidade sustentável.
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Idealizado como uma resposta à rigidez do planejamento urbano tradicional, Oosterwold oferece liberdade – os moradores podem construir suas casas como desejarem, mas cobra responsabilidade. Além da cota agrícola, os cerca de 5 mil habitantes gerem coletivamente desde a nomeação das ruas até o tratamento de resíduos e a criação de escolas.
“Essa regra é um pensamento único no mundo e faz desta uma área excepcional em muitos aspectos”, afirma Jan Eelco Jansma, pesquisador da Wageningen University & Research que inspirou o projeto. O conceito atrai uma lista de espera crescente, com mais de mil unidades residenciais já ocupadas.
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A criatividade dos moradores floresce junto com as hortas. “Ninguém faz da mesma forma. Você tem que encontrar sua própria receita”, diz Marco de Kat, vereador e residente, ao The Guardian. Em seu jardim, a refeição é decidida no momento. “Ontem, esqueci de pensar no que comer. Você anda pelo jardim, encontra algo e é isso que você come.”
Enquanto alguns cultivam apenas algumas árvores frutíferas ou terceirizam o cultivo para agricultores profissionais, outros transformaram a obrigação em negócio. É o caso de Jalil Bekkour, que, sem experiência prévia, aprendeu a jardinar e abriu o restaurante Atelier Feddan, onde 80% dos ingredientes vêm diretamente de sua propriedade em Oosterwold.
O compromisso com a agricultura é firmado no ato da compra do terreno, mas não há fiscalização ativa. A adesão depende da consciência coletiva e do engajamento comunitário. No entanto, a falta de experiência de muitos moradores gerou dificuldades iniciais.
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Para apoiá-los, foi criado o Oosterwold Food Hub, um centro de recursos que oferece workshops e troca de conhecimentos. “Algumas pessoas se saem muito bem, outras não. Decidimos que precisamos incentivar mais pessoas a melhorar”, explica Yolanda Sikking, gerente de participação local.
O modelo tem se mostrado atraente não apenas pelo estilo de vida, mas também pelo mercado imobiliário: os valores dos terrenos sobem à medida que a fama do bairro como polo de sustentabilidade se consolida.
Ambientalmente, o impacto é positivo. Estudos indicam que as pequenas fazendas urbanas aumentam a biodiversidade, melhoram a qualidade do solo e reduzem a pegada ecológica da expansão urbana, com práticas como compostagem, captação de água da chuva e controle natural de pragas.
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Oosterwold se consolida, assim, como um caso emblemático de como uma regra aparentemente simples, cultive sua comida, pode ressignificar o espaço urbano, promover a resiliência alimentar e construir comunidades a partir do solo.