‘Nonnamaxxing’: a tendência das avós italianas que vai te fazer viver bem até 100 anos

Ciência valida os hábitos das 'nonne' como o verdadeiro segredo da longevidade; saiba por que o segredo para viver mais não está no Vale do Silício, mas em um banco de praça na Toscana

​O termo pode ter surgido nos nichos digitais do TikTok e do Instagram, mas o “nonnamaxxing” — a prática de maximizar o bem-estar adotando o estilo de vida das nonne (as avós italianas) — está fundamentado em pilares que a ciência agora começa a validar como essenciais para a longevidade.

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Em um mundo dominado pela hiperprodutividade e pelo cansaço digital, o retorno ao básico proposto por essas mulheres centenárias oferece uma rota de fuga para uma vida mais equilibrada e saudável. Além disso, as informações sobre este novo estilo foram divulgadas pelo portal Self-service. Essa matéria foi traduzida pela revista Glamour.

A Itália, que lidera a expectativa de vida na União Europeia e abriga regiões de “Zonas Azuis” (locais com alta concentração de centenários), tornou-se o laboratório vivo para esse movimento.​

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Viver como uma avó italiana vai muito além de usar roupas confortáveis ou cozinhar massas artesanais. Além de tudo, trata-se de uma filosofia de vida que prioriza a “doçura de não fazer nada” (dolce far niente) em oposição à multitarefa constante. Isso também inclui a conexão humana real em vez das interações superficiais mediadas por telas.

Para especialistas, esse movimento reflete um desejo profundo das novas gerações de escapar da cultura do esgotamento. Assim, buscam abrigo em hábitos que comprovadamente reduzem o cortisol e fortalecem o sistema imunológico.​

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A cidade de Santos, no litoral de São Paulo, é uma boa opção quando o assunto é longevidade. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgados no Censo 2022, apontam que o município reúne 107 moradores com 100 anos ou mais. Esse é o maior número da região.

O movimento orgânico do “nonnamaxxing”​

Um dos aspectos mais fascinantes do “nonnamaxxing” é a relação com o tempo. Enquanto a indústria da beleza foca no antienvelhecimento, as avós italianas praticam o que pesquisadores chamam de “visão positiva do envelhecimento”.

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Estudos da Universidade da Califórnia sugerem que encarar a maturidade como um processo de ganho de sabedoria, e não de declínio, pode retardar o envelhecimento biológico em nível celular.

Essa aceitação se traduz na liberdade de ocupar espaços — como as praias da Sardenha — sem a pressão estética comum às gerações mais jovens. Isso, por sua vez, gera um impacto direto na saúde mental e na autoestima.​

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Além da mentalidade, o movimento físico dessas mulheres é orgânico. Nas cidades italianas, as pessoas encaram a caminhada não como “exercício”, mas como um meio de vida. Daniel Lieberman, professor de Harvard, reforça que caminhar é a atividade humana mais fundamental e eficaz para envelhecer bem.

Ao realizar tarefas cotidianas a pé, essas avós mantêm a densidade óssea e a saúde cardiovascular sem o estresse oxidativo de treinos de altíssima intensidade. Portanto, provam que a consistência de um estilo de vida ativo supera qualquer plano de academia de curto prazo.​

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Nem em todo lugar do mundo, os idosos vivem com qualidade de vida e bem estar. Uma pesquisa publicada na revista European Geriatric Medicine revelou que cerca de 14% das pessoas idosas residentes em São Paulo sofrem de fragilidade. Trata-se de uma condição que aumenta o risco de quedas, hospitalizações por fraturas e causa risco de morte.

Nutrição, propósito e o poder da comunidade​

A mesa da nonna é outro pilar inabalável. O foco em alimentos da estação (stagionalità) garante uma dieta densa em nutrientes e livre de ultraprocessados. Ela é baseada no modelo mediterrâneo de gorduras boas e fibras.

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No entanto, o benefício nutricional é potencializado pelo contexto social: a refeição é um ato comunitário. Hoje, o isolamento social é comparado ao tabagismo em termos de riscos à saúde. Por isso, as avós italianas combatem isso mantendo-se como o núcleo da família e da vizinhança.​

Propósito e Cognição: A ciência mostra que avós que cuidam de netos ou participam de trabalhos voluntários apresentam menores riscos de demência. A sensação de ser útil e necessária mantém o cérebro afiado.​

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Conexão Social: Ser o “sistema de segurança” do bairro e manter conversas frequentes com vizinhos previne a depressão e a solidão crônica.

Presença Plena: O hábito de observar o movimento das ruas sem o uso de celulares treina o cérebro para o estado de mindfulness, reduzindo a ansiedade.

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​Em última análise, o “nonnamaxxing” não é sobre retroceder no tempo, mas sobre filtrar o que realmente importa para a experiência humana. Como resume a icônica Licia Fertz, de 96 anos, o segredo é nunca se isolar e manter a curiosidade viva.

Afinal, a longevidade italiana ensina que uma vida bem vivida é aquela em que o corpo está em movimento, o prato está fresco e o coração está rodeado de pessoas.​

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A tendência do “nonnamaxxing” nos faz um convite valioso: talvez os verdadeiros gurus de saúde não estejam nos laboratórios de biotecnologia do Vale do Silício. Em vez disso, podem estar sentados em um banco de praça na Toscana, aproveitando o sol e a companhia de um amigo.