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Mistério sobre a origem da vida na Terra ganha novas pistas com amostras espaciais

Presença de componentes do RNA em asteroide sugere que o espaço é mais rico em química orgânica do que se imaginava

Nathalia Alves

Publicado em 20/03/2026 às 14:15

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Material preservado oferece uma janela inédita para entender o ambiente cósmico antes do surgimento dos planetas / Reprodução/JAXA / Kevin M. Gill Wikimedia

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Uma análise de fragmentos do asteroide Ryugu, coletados pela missão Hayabusa2 da agência espacial japonesa (JAXA), identificou a presença das cinco substâncias químicas que formam a base do DNA e do RNA.

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O resultado, publicado na revista científica Nature Astronomy, adiciona novas evidências à hipótese de que os blocos fundamentais da vida podem ter chegado à Terra por meio de impactos de asteroides nos primórdios do Sistema Solar.

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Os pesquisadores detectaram nas amostras as cinco nucleobases, adenina, guanina, citosina, timina e uracila, que compõem o código genético de todos os seres vivos. No DNA, a adenina se liga à timina e a guanina à citosina, formando os degraus da dupla hélice. No RNA, a uracila ocupa o lugar da timina.

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Asteroide Ryugu

Formado há cerca de 4,6 bilhões de anos, na mesma época em que os planetas surgiam, o asteroide Ryugu funciona como uma espécie de arquivo natural da química primordial do Sistema Solar.

Por ter preservado material pouco alterado ao longo desse tempo, ele oferece aos cientistas uma janela para entender quais compostos orgânicos já estavam presentes no ambiente cósmico antes do surgimento da vida na Terra.

As amostras foram coletadas pela sonda Hayabusa2, lançada em 2014. Após chegar ao asteroide em 2018, o equipamento disparou um projétil contra a superfície para recolher fragmentos subterrâneos, menos expostos à radiação espacial e a possíveis contaminações.

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O material foi trazido à Terra em dezembro de 2020, dentro de uma cápsula, e desde então vem sendo analisado em laboratórios com condições rigorosas de controle.

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O que faz dele tão especial? 

Ao comparar os fragmentos de Ryugu com amostras de outros corpos celestes, como o asteroide Bennu e meteoritos que caíram no planeta, os cientistas observaram diferenças nas proporções das nucleobases. Um dos fatores que pode explicar essa variação é a presença de amônia nas rochas espaciais, segundo os pesquisadores.

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“Essa relação sugere que a amônia pode ter desempenhado um papel importante na composição das nucleobases nesses materiais”, afirmou Toshiki Koga, pesquisador da Japan Agency for Marine-Earth Science and Technology, ao site Gizmodo.

Koga destacou ainda que a correlação não é prevista por nenhum mecanismo químico conhecido, o que indica a possível atuação de caminhos ainda não identificados na formação dessas moléculas no início do Sistema Solar.

Para os cientistas, a descoberta indica que os componentes básicos do material genético podem ser mais comuns no espaço do que se imaginava.

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A presença dessas substâncias em asteroides ricos em carbono, como Ryugu e Bennu, reforça a ideia de que impactos de rochas espaciais podem ter contribuído para fornecer à Terra primitiva os ingredientes químicos que precederam o surgimento da vida.

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