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Mistério de Júpiter: Cientistas descobrem que planeta tem muito mais oxigênio do que o esperado

Novo modelo da NASA e da Universidade de Chicago revela segredos ocultos sob as nuvens do gigante gasoso

Nathalia Alves

Publicado em 18/02/2026 às 14:15

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Modelo inédito combina química e física para mostrar que processos na atmosfera / Divulgação/NASA

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A Grande Mancha Vermelha de Júpiter, uma tempestade colossal maior que a Terra observada há pelo menos 360 anos, sempre fascinou astrônomos por sua persistência e dinamismo. Mas o que acontece sob a espessa camada de nuvens do maior planeta do Sistema Solar permanecia um mistério, até agora.

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Uma equipe de cientistas da Universidade de Chicago e do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasadesenvolveu o modelo computacional mais completo já criado para simular a atmosfera joviana.

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O resultado, publicado na revista The Planetary Science Journal, surpreendeu os pesquisadores: o planeta contém aproximadamente 1,5 vez mais oxigênio que o Sol, um índice muito superior às estimativas anteriores, que sugeriam apenas um terço disso.

Modelo inédito combina química e hidrodinâmica

Até então, a maioria dos modelos científicos estudava separadamente a química e o movimento da atmosfera de Júpiter. A equipe liderada por Jeehyun Yang, pesquisador de pós-doutorado da Universidade de Chicago, decidiu unir as duas abordagens.

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“A química é importante, mas não inclui as gotas de água nem o comportamento das nuvens. A hidrodinâmica por si só simplifica demais a química. Por isso é importante combiná-las”, explica Yang.

A nova simulação permite visualizar como a água, as nuvens e os diferentes processos químicos são redistribuídos no interior do planeta, ascendendo lentamente das regiões internas extremamente quentes para as camadas atmosféricas mais frias.

O modelo também revelou que essa circulação é muito mais lenta do que se imaginava: a difusão seria entre 35 e 40 vezes mais lenta que as estimativas anteriores. Processos que se acreditava ocorrerem em horas podem, na verdade, levar semanas.

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Pistas sobre a origem do planeta

A descoberta vai além de uma curiosidade química. Ela oferece pistas valiosas sobre a formação de Júpiter e, por extensão, de todo o Sistema Solar.

A hipótese mais provável, segundo os novos indícios, é que Júpiter tenha se formado além da chamada "linha da neve", uma região distante do Sol onde a água e outros compostos podem existir na forma de gelo. Esse gelo teria fornecido grandes quantidades de oxigênio (na forma de água congelada), facilitando seu acúmulo durante a formação do planeta.

“Os planetas conservam as marcas químicas dos ambientes em que se formaram, o que os torna verdadeiras cápsulas do tempo”, afirma Yang ao site Space.com.

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A atmosfera inexplorada de Júpiter

Júpiter não possui uma superfície sólida conhecida. É um mundo gigantesco composto por gases e líquidos submetidos a pressões e temperaturas extremas. Qualquer tentativa de penetrar profundamente em sua atmosfera seria destruída, como ocorreu com a sonda Galileo, que deixou de funcionar quase imediatamente após mergulhar no planeta.

As observações disponíveis vêm de missões orbitais como a Juno, que confirmaram a presença de compostos como amônia, metano e monóxido de carbono nas camadas superiores. Mas o oxigênio, principalmente na forma de água, concentra-se nas profundezas, fora do alcance direto dos instrumentos.

O novo modelo computacional preenche essa lacuna, oferecendo uma imagem mais precisa da circulação de gases e da composição química do interior joviano.

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Implicações para a busca por mundos habitáveis

Compreender como as moléculas se movem e se transformam em Júpiter é fundamental não apenas para conhecer melhor o planeta, mas também para reconstituir os primeiros capítulos da história do Sistema Solar.

Os estudiosos ainda debatem se Júpiter nasceu na posição atual ou se migrou de regiões mais distantes do Sol. A alta concentração de oxigênio detectada reforça a hipótese da formação além da linha da neve.

Ao decifrar o que ocorre sob as nuvens de Júpiter, os cientistas não apenas esclarecem um dos grandes mistérios da pesquisa planetária, mas também orientam a busca por planetas habitáveis em outros sistemas estelares. Afinal, entender como mundos gigantes se formam e evoluem é essencial para identificar quais condições podem favorecer o surgimento da vida.
 

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