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No dia em que a exumação dos restos mortais da banda é confirmada, o DL relembra entrevista exclusiva com a filha e a viúva de Jorge Luiz Germano Martins, o comandante do jatinho
Ana Elisa Parreira Martins e Cristiane de Paula Parreira Martins / Reprodução/Diário Kiss/Youtube
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Em março de 2026, o Brasil completa três décadas sem a irreverência e a alegria dos Mamonas Assassinas. O jatinho Learjet 25D, que se chocou contra a Serra da Cantareira naquela trágica noite de 1996, não interrompeu apenas a carreira de um fenômeno musical; ele deu início a um pesadelo silencioso para outra família: a do piloto Jorge Luiz Germano Martins.
O nome da banda voltou a dominar o noticiário recentemente com um anúncio emocionante. As famílias dos músicos decidiram realizar a exumação dos corpos para que parte das cinzas seja levada ao BioParque do cemitério onde estão sepultados. A ideia é que os restos mortais sirvam de adubo para que árvores cresçam no local, transformando a saudade em vida renovada.
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Enquanto o país chorava seus ídolos, a viúva do piloto, Cristiane de Paula Parreira Martins, e suas filhas, Ana Elisa e Beatriz, enfrentavam um "massacre" público. Acusado de ter causado o acidente ao realizar uma curva para o lado errado, Jorge foi sentenciado pela opinião pública antes mesmo de qualquer perícia final.
"A gente não podia sair na rua que as pessoas apontavam e falavam: 'olha lá, a família do piloto que matou os Mamonas'", recorda Cristiane.
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Em entrevista exclusiva ao Diário do Litoral, no ano de 2023, ela lembrou com dor que, no dia anterior ao acidente, o marido prometeu voltar para jantar. A notícia só chegou na manhã de domingo, e com ela, o fim de sua paz. "Meu chão se abriu. Eu estava chocada e com duas filhas pequenas para criar", lamenta.
Um dos relatos mais potentes dessa história vem de Ana Elisa Parreira Martins. Ela tinha apenas um ano quando o pai morreu. Em vez de se fechar na dor, a curiosidade sobre o que realmente aconteceu naquela noite moldou seu futuro.
Hoje, Ana Elisa é perita criminal e especialista em odontologia legal. Ela decidiu estudar o acidente a fundo para entender se o pai era, de fato, o culpado.
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"Decidi transformar essa dor em algo bom. Me questionei muito, mas vi que todos ali foram vítimas de uma sequência de falhas", afirma.
A luta para limpar o nome de Jorge Luiz levou Cristiane de volta aos estudos. Durante uma audiência, uma magistrada a orientou: se quisesse provar que o marido não era o único responsável, deveria cursar Direito.
Cristiane não apenas se formou, como usou seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) para anexar provas e analisar tecnicamente o acidente. O estudo demonstrou que, embora Jorge tenha cometido o erro final, houve uma cadeia de falhas anteriores — da infraestrutura aérea ao cansaço da tripulação — que selou o destino do voo PT-LSD.
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Atualmente, as acusações contra o piloto diminuíram. O público e a imprensa passaram a olhar para o acidente de 1996 com mais criticidade e menos sede de vingança.
"Meu marido não saiu de casa para se matar, nem para matar ninguém. Era um piloto experiente e um pai exemplar", finaliza Cristiane, que hoje vê na superação de suas filhas a maior vitória contra o preconceito de décadas.