A produção de veículos da Jaguar Land Rover (JLR) em Itatiaia, no sul do Rio de Janeiro, deve chegar ao fim nas próximas semanas. A fábrica, responsável pela montagem dos modelos Discovery Sport e Range Rover Evoque no Brasil, está prestes a ser assumida pela montadora chinesa Chery Automobile. A concorrente negocia incentivos fiscais para ampliar a operação e nacionalizar novos veículos no país.
Segundo informações divulgadas pela revista Quatro Rodas, os últimos veículos da JLR já foram produzidos e aguardam distribuição para as concessionárias. A expectativa é que o processo seja concluído até meados de julho.
A Jaguar Land Rover informou que a produção segue normalmente durante o mês de junho e afirmou não ter novas informações sobre os próximos passos da operação.
Incerteza sobre empregos e futuro da fábrica
A unidade de Itatiaia emprega 371 trabalhadores diretos, conforme o Sindicato dos Metalúrgicos de Itatiaia e Porto Real (Sindireal). Embora o volume de produção tenha diminuído nos últimos anos, os funcionários continuam participando de programas de qualificação profissional.
Entre janeiro e maio de 2026, os modelos Discovery Sport e Range Rover Evoque somaram apenas 264 emplacamentos no mercado brasileiro, refletindo a queda da operação local.
O sindicato regional acompanha as negociações e defende que qualquer mudança de controle preserve os postos de trabalho existentes na fábrica.
Chery negocia incentivos fiscais para assumir a unidade
As tratativas entre a Chery Automobile, a Prefeitura de Itatiaia e o Governo do Estado do Rio de Janeiro avançaram nas últimas semanas. A fabricante chinesa busca aderir a programas de incentivos fiscais que viabilizem a compra da fábrica e a ampliação da capacidade produtiva.
Representantes da empresa participaram recentemente de reuniões com autoridades municipais para discutir os benefícios necessários para a instalação da nova operação. Já o governo fluminense e a Assembleia Legislativa também analisam medidas tributárias que podem destravar o acordo.
As questões relacionadas à carga tributária ainda são apontadas como um dos principais obstáculos para a conclusão das negociações entre JRL e a Chery.
Omoda e Jaecoo estão nos planos da fabricante chinesa
A estrutura atual da fábrica foi projetada para operar em regime SKD, no qual as carrocerias chegam prontas do exterior e recebem apenas a montagem final no Brasil.
Contudo, os planos da Chery são mais ambiciosos. A montadora pretende adaptar a unidade para produzir veículos em regime CKD, modelo que inclui processos industriais mais complexos, como soldagem, armação de carrocerias e pintura.
Um dos principais candidatos à nacionalização é o Omoda 4, SUV compacto híbrido que deverá disputar mercado com modelos como Volkswagen Tera, Fiat Pulse e Renault Kardian. Outros veículos das marcas Omoda, Jaecoo, Jetour e Lepas também poderão ser produzidos em Itatiaia nos próximos anos.
Produção pode chegar a 100 mil veículos por ano
O projeto apresentado pela Chery prevê uma expansão da capacidade produtiva da unidade fluminense. A expectativa é alcançar 100 mil veículos por ano a partir do segundo semestre de 2027, com parte da produção destinada ao mercado brasileiro e outra voltada à exportação para países da América Latina.
A estratégia reforça o movimento de expansão das montadoras chinesas no Brasil, que têm ampliado investimentos diante do crescimento da demanda por veículos eletrificados e híbridos.
Parceria global pode manter Land Rover na fábrica
Nos bastidores da indústria automotiva, uma possibilidade ainda é discutida: a própria Chery poderia continuar produzindo modelos da Land Rover em Itatiaia após assumir a unidade.
As duas empresas mantêm uma parceria consolidada na China, onde a fabricante chinesa já produz veículos da marca britânica. Além disso, ambas colaboram no desenvolvimento da nova submarca Freelander.
Caso o acordo avance, a venda da fábrica não significaria o fim da produção da Land Rover no Brasil, mas uma mudança no modelo de operação, com a fabricação terceirizada pela futura controladora da unidade.
