Julio Iglesias era amigo pessoal de Pelé / Reprodução/Instagram
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Duas mulheres que trabalharam com Julio Iglesias fizeram uma queixa ao Ministério Público espanhol contra o cantor por tráfico de pessoas e agressão sexual. Os detalhes se tornaram públicos nesta terça-feira (13), após o portal elDiario.es, em parceria com a Univision Noticias, ter acesso aos documentos.
De acordo com o processo, a denúncia refere-se a eventos entre janeiro e outubro de 2021, e pode configurar como “tráfico de pessoas para fins de trabalho forçado e servidão” e “diversos crimes contra a liberdade e integridade sexual”, além de lesão corporal e violação de direitos dos funcionários “pela imposição de condições de trabalho abusivas”.
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A queixa aponta Iglesias como o principal autor, mas também inclui como cúmplices outras duas mulheres que administravam as casas do cantor, de 82 anos, na República Dominicana e nas Bahamas. As denunciantes, uma prestadora de serviços domésticos e uma fisioterapeuta particular, descreveram um ambiente marcado por controle excessivo, humilhações e intimidações.
Segundo elas, o vínculo profissional era repleto de insultos, ameaças, jornadas exaustivas e restrições que ultrapassavam até suas vidas pessoais. “Sentia-me obrigada a fazer coisas sem ter a opção de dizer não. Aquilo era um pesadelo. Um lugar horrível“, relatou a ex-funcionária. Conforme o relato, recusas a determinadas exigências resultavam em insultos. O cantor, segundo ela, ainda afirmava que ela deveria se considerar “sortuda” por trabalhar com ele.
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A fisioterapeuta descreveu Julio como “extremamente controlador” e afirmou que ele usava o medo como forma de ataque. “Ele ameaçava demitir você o tempo todo e reforçava que trabalhar para ele era a melhor coisa que poderia ter acontecido na sua vida“, declarou. Conforme o documento, as duas afirmaram que a postura de Julio se estendia a pedidos de cunho sexual.
A ex-funcionária disse que os abusos ocorriam quando a esposa dele, Miranda Rijnsburger, não estava presente. A fisioterapeuta também descreveu episódios de toques não consentidos e abordagens de teor sexual, além de conversas invasivas. A investigação aponta que as funcionárias eram submetidas a exames ginecológicos, testes de gravidez e HIV.
Uma delas relatou o medo de que Julio tivesse acesso a seu celular, descrevendo o receio como um estado constante de alerta. A fisioterapeuta afirmou ter desenvolvido depressão, enquanto a outra funcionária declarou que continuou abalada após deixar o emprego. “Eles me usaram, me pisotearam“, lamentou.
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As duas registraram a queixa com o apoio da organização Women’s Link Worldwide. “Quero que esse seja o impacto, que minha voz lhes dê força para que se manifestem e para que todos nós alcancemos a justiça. Não estou fazendo isso apenas por mim, estou fazendo por elas também, porque o que eu passei, e o que qualquer um dos meus colegas passou naquela casa, não foi justo. Entramos naquela casa para trabalhar com dignidade e não merecíamos todo o abuso físico, psicológico e sexual“, concluiu a fisioterapeuta.
Julio Iglesias não respondeu às tentativas de contato. Uma assistente mencionada negou as acusações, classificando-as como “mentirosas” e definindo o artista como “um grande cavalheiro e muito respeitoso com todas as mulheres“.