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Japão descobre reserva de 16 milhões de toneladas de terras raras, sendo a 3ª maior do mundo

Descoberta a 6 mil metros de profundidade no Pacífico torna-se a terceira maior do mundo e promete quebrar monopólio da China

Nathalia Alves

Publicado em 04/02/2026 às 17:55

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Depósito estratégico contém minerais essenciais para eletrônicos e carros elétricos com volume suficiente para séculos de consumo / Reprodução/Getty Imagens

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O Japão anunciou uma descoberta considerada um marco estratégico: a extração de sedimentos ricos em terras raras a uma profundidade de 6.000 metros no Oceano Pacífico.

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Segundo o governo de Tóquio, esta é a primeira operação do mundo a acessar tais recursos minerais em profundidades tão extremas, um avanço crucial na tentativa de reduzir a forte dependência global da China, que domina o fornecimento desses metais essenciais.

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A operação foi realizada durante uma missão de teste do navio de perfuração científica Chikyu, que partiu no mês passado para a remota ilha de Minami Torishima, uma área conhecida por seu alto potencial mineral. As amostras coletadas serão agora analisadas detalhadamente para quantificar com precisão os metais presentes.

O porta-voz do governo, Kei Sato, classificou o feito como "uma conquista significativa, tanto do ponto de vista da segurança econômica quanto do desenvolvimento marítimo estratégico".

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Contexto geopolítico tenso

O anúncio ocorre em um momento de crescente tensão entre Japão e China. As relações se deterioraram após declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sugerindo uma possível resposta militar de Tóquio a um ataque chinês a Taiwan – território reivindicado por Pequim.

Em retaliação, a China impôs restrições às exportações para o Japão de bens de uso duplo (civil e militar), alimentando temores de que Pequim possa também limitar o fornecimento de terras raras, algumas das quais estão em sua lista de bens sensíveis.

Uma reserva estratégica gigantesca

Estimativas prévias, citadas pela publicação Nikkei, indicam que a área em torno de Minami Torishima abrigaria mais de 16 milhões de toneladas de terras raras, o que a tornaria a terceira maior reserva do mundo.

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Os depósitos conteriam, por exemplo, recursos de disprósio suficientes para cerca de 730 anos de consumo global, metal crucial para ímãs de alta potência em carros elétricos e celulares, e de ítrio para 780 anos, usado em tecnologia a laser.

Redução da dependência chinesa

As terras raras – um grupo de 17 metais críticos para tecnologias de ponta – são vitais para a fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas, discos rígidos e sistemas de armas.

A China controla cerca de dois terços da produção mundial e aproximadamente 92% da capacidade global de refino, utilizando repetidamente essa dominância como ferramenta geopolítica.

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A bem-sucedida missão japonesa representa, portanto, um passo importante na corrida internacional para diversificar as cadeias de suprimento e reduzir a vulnerabilidade estratégica de nações tecnologicamente avançadas frente a possíveis pressões comerciais. O sucesso futuro do projeto, contudo, dependerá da viabilidade econômica e ambiental da mineração em águas tão profundas.
 

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