Mudanças climáticas aceleram destruição de frota japonesa afundada pelos EUA. / Reprodução/Nicole Evatt / AP
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Uma das mais fascinantes atrações turísticas do Pacífico enfrenta uma ameaça silenciosa e urgente. A lagoa de Chuuk, na Micronésia, que abriga a maior concentração de naufrágios da Segunda Guerra Mundial do mundo, está sofrendo com o vazamento de óleo tóxico de navios enferrujados. O agravamento do problema tem sido associado aos efeitos das mudanças climáticas.
Localizada no coração do Pacífico Central, a lagoa, conhecida durante a guerra como Truk Lagoon, guarda os restos de uma enorme frota fantasma.
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Em fevereiro de 1944, a Marinha dos Estados Unidos lançou a Operação Hailstone, um ataque devastador contra a base naval japonesa que afundou mais de 47 navios e derrubou cerca de 270 aeronaves. Mais de 4 mil soldados japoneses morreram no ataque, descrito à época como uma "vingança por Pearl Harbor".
Hoje, os destroços repousam no fundo da lagoa e se tornaram um ponto de mergulho cobiçado por aventureiros do mundo inteiro. E existe uma preocupação real do possível desaparecimento.
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Navios como o Fujikawa Maru, que descansa entre 15 e 33 metros de profundidade, e o Heian Maru, com seus impressionantes 165 metros de comprimento, formam um verdadeiro museu submerso, onde tanques, torpedos, bombas e aeronaves preservam ecos de uma guerra passada.
Trata-se de uma das áreas com naufrágios mais bem preservadas do mundo.
Mas essa riqueza histórica agora corre risco. De acordo com a emissora australiana ABC News, especialistas apontam que o aumento da temperatura da água e a ação das ondas, intensificadas por eventos climáticos extremos, estão corroindo os cascos enferrujados dos navios. Como resultado, óleo tóxico tem vazado dos recipientes submersos.
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Em fevereiro deste ano, o governo australiano financiou um estudo sobre os destroços a pedido da Micronésia. O relatório concluiu que 15 dos navios afundados precisarão ser limpos dentro de cinco a dez anos para evitar um derramamento ambiental de grandes proporções. O custo estimado para a limpeza de um único destroço é de cerca de US$ 10 milhões.
Confira no vídeo o chuuk lagoon registrado por mergulhadores
Diante da urgência, as autoridades locais solicitaram que a lagoa de Chuuk seja incluída na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO. A medida poderia acelerar os trabalhos de resolução do problema e atrair financiamento internacional para a preservação do local, que é ao mesmo tempo um tesouro arqueológico subaquático e um túmulo de guerra.
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Por décadas, a lagoa permaneceu protegida das correntes fortes do oceano, o que manteve os destroços praticamente intactos, congelados no tempo. Agora, a ação do clima e a corrosão ameaçam transformar esse cemitério silencioso em um desastre ambiental iminente.
Para mergulhadores, historiadores e viajantes, Chuuk Lagoon é um dos destinos mais fascinantes do planeta, um lugar onde é possível observar a história e a vida marinha em um só lugar.
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