No início dos anos 2000, o rosto da atriz italiana Giulia Boverio era sinônimo de entretenimento na Disney. Por três anos, ela estrelou a série “Quelli dell’intervallo” (que mais tarde ganhou um remake brasileiro intitulado “Quando Toca o Sino”). Porém, o que parecia ser o começo de uma trajetória brilhante transformou-se em um pesadelo silencioso.
Em entrevista ao portal italiano Corriere della Sera, a ex-atriz, atualmente com 30 anos, detalhou o cenário que enfrentou a partir dos 21. Com o término da série, ela teve dificuldades para se desvincular da imagem de personagem infantil, ao mesmo tempo em que percebia as portas da indústria se fecharem. Esse contexto a mergulhou em uma profunda crise de identidade.
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Alcoolismo
De acordo com a atriz, que começou a atuar aos 13 anos e chegou a gravar com estrelas globais como Miley Cyrus, ela frequentemente se sentia como um “peixe fora d’água”. O verdadeiro golpe veio com o desemprego e a rejeição sistemática em testes de elenco.
“Eu pensava que atuar seria o meu destino. Em vez disso, quando me apresentava nos castings, descartavam-me sempre com a mesma desculpa: ‘Você é a Valentina’. Quando você é jovem, não aceita o fim”, desabafou.
Nesse período, Giulia encontrou no álcool uma saída e um anestésico. O que começou como fuga tornou-se uma dependência que durou quase uma década. Ela descreve esse intervalo como “escuro”, um estado de congelamento total em que as emoções positivas desapareceram e a vergonha passou a ser sua única companhia.
À direita, a atriz italiana Giulia Boverio relata em entrevista ter sofrido diversos traumas por não conseguir se desvincular de sua personagem. (Disney/Divulgação)A luta pela sobrevivência
Durante nove anos, Giulia conseguiu camuflar o vício enquanto vivia sozinha. Na ocasião, utilizava o isolamento para esconder sinais físicos, como o emagrecimento severo e os tremores. O ponto de virada só ocorreu quando seu círculo íntimo de amigos e o namorado lhe deram um ultimato: “Ou você aceita ajuda, ou vai morrer”.
A atriz submeteu-se a três anos de terapia psiquiátrica intensiva. À reportagem, ela relembrou o sofrimento da desintoxicação física: “Atravessei todas as fases: tremores, suor e vômitos por semanas”.
Renascimento
A última vez que Giulia consumiu álcool foi no Natal de 2024, após um episódio de excesso em um almoço de família que a fez confrontar o próprio reflexo no espelho e dizer “basta”.
Após se afastar dos sets de gravação, ela passou a dedicar a vida a auxiliar outras pessoas a enfrentarem fragilidades semelhantes por meio do livro Figli del buio e do podcast Fuori Dal Buio. Segundo a ex-atriz, a substância nunca é o problema real, mas sim o que a pessoa carrega dentro de si.
