Estilo de vida atual causa grande parte dos casos de câncer, alerta oncologista de 97 anos

Especialista Silvio Garattini aponta que práticas acessíveis, como a moderação alimentar e as caminhadas frequentes, são fundamentais para uma vida longa e saudável

A longevidade foge das tendências radicais e se apoia fortemente em atitudes fáceis de manter no dia a dia / Pexels

Para quem busca mais qualidade de vida, a medicina preventiva traz um aviso de máxima importância. A pesquisa científica sobre o câncer avançou significativamente nos últimos anos e hoje aponta que as escolhas diárias afetam diretamente o surgimento dos tumores mais comuns.

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Essa nova perspectiva médica incide sobre uma doença com alto impacto global. O problema de saúde causou exatas 255.037 mortes no Brasil apenas em 2023, conforme dados oficiais do Instituto Nacional de Câncer (INCA). 

Diante desse cenário preocupante, o conceituado oncologista e cientista Silvio Garattini, no alto dos seus 97 anos de idade, defende que uma enorme parcela desses diagnósticos poderia ser evitada com adequações básicas na rotina.

As escolhas modernas e o sedentarismo

O médico avalia que o estilo de vida contemporâneo responde por quatro em cada dez casos diagnosticados da doença. 

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Por esse motivo, o especialista acredita fielmente que a alteração precoce de hábitos cotidianos diminui a incidência dos tumores muito antes da manifestação clínica. 

Ao longo da sua extensa trajetória profissional, ele se dedicou a entender a fundo o envelhecimento saudável. 

Consequentemente, o cientista concluiu que a longevidade foge das tendências radicais e se apoia fortemente em atitudes fáceis de manter no dia a dia.

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O consumo frequente de tabaco e de álcool, somado à obesidade, à má alimentação e a determinadas infecções, piora as estatísticas da enfermidade. Entretanto, o mercado atual monopoliza as informações de saúde. 

Como resultado, a população recebe uma quantidade massiva de mensagens voltadas a distorcer as necessidades reais do corpo humano.

As taxas de colesterol

Além de alertar sobre o sedentarismo, o especialista critica severamente a utilização excessiva e indiscriminada de remédios. 

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Na sua própria vivência diária, ele restringe o consumo farmacológico aos momentos de absoluta precisão e age sempre com extrema cautela com as prescrições.

Em relação ao controle do colesterol, o raciocínio analítico segue a mesma linha crítica. Durante muitas décadas, a medicina considerava normal a taxa de 240 miligramas por decilitro de sangue. 

Após a popularização de medicações específicas, conhecidas como estatinas, esse limite referencial caiu drasticamente. Hoje em dia, propaga-se a ideia comercial de que as taxas devem ser as menores possíveis. 

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O especialista discorda totalmente dessa visão, pontuando que a falta de colesterol gera complicações celulares graves. Em suma, ele classifica essa redução constante como uma clara estratégia de marketing, e não como uma prática médica genuína.

Alimentação moderada

Para alcançar uma rotina imune a doenças, a atividade física regular desponta como um pilar completamente essencial. 

Essa prática não exige treinos de alta intensidade em academias, mas sim um corpo em movimento contínuo, a exemplo das caminhadas agradáveis tão comuns entre os moradores das cidades litorâneas.

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Aliado ao exercício físico, a nutrição requer uma abordagem muito equilibrada. A quantidade de comida ingerida reflete imediatamente no bem-estar do organismo. 

A sabedoria antiga prega que as pessoas devem encerrar as refeições ainda com um pouco de fome. 

O impacto biológico dessa moderação atinge níveis supreendentes. O corte de trinta por cento no volume da alimentação consegue prolongar a expectativa de vida humana em até vinte por cento.

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Um legado focado na pesquisa científica

Toda essa visão preventiva possui raízes muito profundas na história da pesquisa médica. No ano de 1958, enquanto atuava como assistente no Instituto de Farmacologia da Universidade de Milão, Garattini cruzou o caminho do joalheiro e filantropo Mario Negri. 

Naquela época, o cientista italiano retornava dos Estados Unidos e convenceu o grande empresário a investir pesado na criação de uma fundação focada na saúde e no desenvolvimento humano.

Dessa união valiosa de ideias, nasceu o respeitado Instituto Mario Negri de Pesquisa Farmacológica. Garattini presidiu e guiou essa importante instituição de ciência até o ano de 2018, consolidando um trabalho primoroso em prol do envelhecimento com qualidade e independência.