Conheça a ilha dominada por centenas de coelhos fofos que correm atrás dos turistas; Veja fotos

Sem predadores naturais, centenas de animais dóceis cercam os viajantes nas praias e trilhas, mas boom de visitas acende alerta sobre os riscos da alimentação inadequada

Se for alimentar, use apenas ração própria! Comidas humanas, como pães e doces, fazem mal à saúde sensível dos coelhos. /Reprodução Youtube

Destino exótico perto de Hiroshima oferece uma experiência única de desconexão urbana/Reprodução Youtube

Basta desembarcar do barco para ser imediatamente cercado por dezenas de coelhos saltitantes e cheios de energia. Essa cena inusitada acontece todos os dias na pequena ilha de Okunoshima, localizada em Hiroshima, que ganhou fama mundial como a “Ilha dos Coelhos“.

Continua após a publicidade

O fenômeno se deve às centenas de roedores que circulam livremente pelo território, criando uma paisagem peculiar. Como resultado, milhares de turistas visitam o local anualmente para vivenciar esse encontro fora do comum. Diferentemente de outros destinos, ali não há automóveis, mercados movimentados nem arranha-céus. Afinal, o principal, e quase único, atrativo é justamente passear e observar os coelhos o dia inteiro.

O que torna a experiência ainda mais especial é a completa ausência de medo nos animais. Ao contrário dos coelhos selvagens, que desaparecem ao menor sinal de presença humana, os moradores da ilha estão acostumados com visitantes e são frequentemente chamados de “curiosos”.

Eles vivem de forma plena, já que o território não abriga predadores naturais significativos. Além disso, as autoridades proíbem rigorosamente a entrada de cães e gatos, o que contribuiu para a multiplicação dos animais nas últimas décadas.

Continua após a publicidade

Os coelhos percorrem as trilhas de caminhada, descansam sob as árvores e seguem os turistas que carregam comida. Hoje, eles se tornaram um dos principais motores do turismo e da economia local. Nas redes sociais, vídeos da ilha já acumulam milhares de visualizações e curtidas, atraindo ainda mais atenção para esse destino exótico.

Confira as imagens

Mas, afinal, como os coelhos chegaram à ilha?

Embora os especialistas não cheguem a um consenso, algumas teorias principais tentam explicar a origem dessa população. Uma delas revela que a história de Okunoshima não é tão amigável quanto sua reputação atual sugere. No final da década de 1920, o Exército Imperial Japonês começou a usar a ilha como local de testes para armas químicas, principalmente gás venenoso.

Coelhos teriam sido utilizados no programa de testes, e alguns acreditam que funcionários do laboratório soltaram os animais na natureza. Hoje, outro ponto turístico da ilha é o Museu do Gás Venenoso, que conta esse período sombrio.

Continua após a publicidade

Contudo, a teoria mais aceita sustenta que um grupo de estudantes levou coelhos para a ilha no início dos anos 1970 e os soltou no local, dando origem à população atual. Da mesma forma, estudos genéticos recentes sugerem que outras pessoas abandonaram animais ali ao longo dos anos, ampliando a diversidade do grupo.

Atualmente, Okunoshima atrai até 100 mil visitantes por ano, o que equivale a cerca de 100 pessoas por coelho, segundo estimativas. Os turistas viajam até a ilha para ver os animais, alimentá-los e, quem sabe, também aproveitar as praias e relaxar nas fontes termais.

Boom turístico exige cuidados com os animais

No entanto, o crescimento do turismo também trouxe desafios. Os coelhos costumam ser alimentados com uma dieta inadequada às suas necessidades nutricionais, o que resulta em menor expectativa de vida.

Continua após a publicidade

Por isso, se você for visitá-los, evite oferecer sua própria comida. Em vez disso, forneça apenas ração especialmente formulada para a espécie, que pode ser comprada na própria região. Melhor ainda: não os alimente e observe-os à distância.

Para garantir o bem-estar desse ecossistema, os viajantes devem adotar práticas de cuidado coletivo, como:

  • Não oferecer alimentos processados: doces e pães prejudicam a saúde sensível dos animais;
  • Redobrar a atenção nas trilhas: evitar acidentes ao caminhar ou andar de bicicleta;
  • Respeitar o espaço dos animais: não pegá-los no colo para evitar estresse desnecessário.