Encheu a cara e pagou mico? O culpado pode ser o “som alto” colocado pelo dono do bar

Estudo científico revela que aumento no volume da música funciona como gatilho psicológico que acelera o consumo de álcool

Clientes consomem cervejas em mesa de bar

Os participantes analisados tinham entre 18 e 25 anos e não sabiam que faziam parte do estudo/Pexels

Acredite se puder, aquele som alto do bar não serve apenas para animar o ambiente. Segundo um estudo da Universidade de Bretagne-Sud, na França, a estratégia de aumentar o volume da música pode fazer com que as pessoas consumam mais álcool.

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A pesquisa, realizada em 2008, observou o comportamento de 40 clientes em três bares franceses. Todos os participantes eram homens entre 18 e 25 anos que já haviam pedido pelo menos uma cerveja. O detalhe é que nenhum deles sabia que estava sendo monitorado pelos pesquisadores.

O motivo da “bebedeira”

Com autorização dos proprietários dos estabelecimentos, os cientistas alteravam aleatoriamente o volume da música entre 72 decibéis, considerado um nível normal, e 88 decibéis, considerado alto. A cada mudança no som, um novo participante era selecionado para observação.

Os resultados mostraram uma diferença significativa. Quando a música estava em volume normal, os frequentadores levavam, em média, 14,5 minutos para terminar um copo de cerveja de 240 ml. Já nos momentos em que o som estava mais alto, o tempo caía para apenas 11,5 minutos.

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A consequência apareceu também no consumo total. Em média, os clientes observados pediam uma cerveja a mais quando a música estava elevada.

Foi o som que botou nóis pra beber?

Para os autores do estudo, existem pelo menos duas explicações possíveis para o fenômeno. A primeira é que o volume alto aumenta o nível de excitação dos frequentadores, levando-os a beber mais rapidamente. A segunda é que a música alta dificulta as conversas e reduz as interações sociais, fazendo com que as pessoas direcionem mais atenção às bebidas.

A descoberta se soma a outras pesquisas que apontam que a música pode influenciar o comportamento de consumo de maneiras surpreendentes. Estudos anteriores já indicaram, por exemplo, que músicas aceleradas fazem as pessoas comerem mais rápido, enquanto trilhas mais lentas podem aumentar o tempo de permanência e até os gastos em bares e restaurantes.