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Pesquisa revela que as áreas úmidas criadas por esses animais funcionam como filtros gigantescos que absorvem mais gases do efeito estufa do que liberam
A engenharia natural dos castores transforma riachos em sumidouros de carbono e aumenta a resiliência dos ecossistemas contra eventos extremos. / Reprodução/Freepik
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Um estudo recente sugere que os castores podem desempenhar um papel relevante no combate às mudanças climáticas ao contribuírem para a captura de carbono em ambientes naturais.
A pesquisa, publicada na revista Communications Earth and Environment, analisou áreas úmidas formadas por represas desses animais e concluiu que elas podem atuar como sumidouros líquidos de carbono, absorvendo mais do que liberam ao longo do tempo.
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O trabalho foi conduzido em um riacho de cerca de 0,8 quilômetro no norte da Suíça, onde castores foram reintroduzidos em 2010. Antes disso, o local funcionava como uma planície aluvial com grande presença de árvores.
Com a chegada dos animais, parte da vegetação foi removida para a construção de represas, o que alterou a paisagem e favoreceu o crescimento de plantas menores, além da formação de áreas alagadas.
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Para medir o impacto dessas transformações, os pesquisadores calcularam o chamado “orçamento de carbono” do local. Foram analisados o carbono presente na água, aquele liberado para a atmosfera e o armazenado em sedimentos, biomassa e madeira morta.
A equipe coletou amostras do solo, da vegetação ao redor e de algas do riacho, além de avaliar a vazão da água, a quantidade de sedimentos e outros parâmetros ambientais.
Os resultados indicaram que a área úmida formada pelos castores sequestrava entre 108 e 146 toneladas de carbono por ano, funcionando como um sumidouro líquido.
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Esse volume equivale à emissão gerada pelo consumo de centenas de barris de petróleo. Com base nesses dados, os pesquisadores estimam que, em regiões da Suíça adequadas à recolonização por castores, esses ambientes poderiam compensar entre 1,2% e 1,8% das emissões anuais de carbono do país.
Historicamente, os castores foram caçados intensamente na Europa e na América do Norte, o que levou à quase extinção da espécie em diversas regiões. Com a recuperação gradual das populações, cientistas voltam a investigar seu papel ecológico, incluindo a capacidade de influenciar o armazenamento de carbono em larga escala, repercute o Live Science.
Embora ainda seja difícil estimar com precisão o impacto global dessa dinâmica, estudos anteriores já sugerem que áreas com presença ativa de castores podem representar uma parcela significativa do carbono armazenado em determinadas paisagens.
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Para os pesquisadores, a restauração dessas populações pode trazer benefícios ambientais adicionais, como o aumento da resiliência de ecossistemas a eventos extremos.
“A piada no mundo da ciência dos castores é que, se você tem um problema, existe um castor para isso”, afirmou Fairfax, pesquisadora envolvida no estudo.