O universo das flores deixou de ser apenas um comércio local para se transformar em um mercado milionário no comércio eletrônico brasileiro.
A trajetória de sucesso da Giuliana Flores, contada em detalhes em uma entrevista para o portal Exame, atrai a curiosidade de muitos consumidores e empreendedores, revelando como uma pequena operação iniciada por um jovem de 19 anos conquistou o país inteiro.
Primeiramente, a relação do empresário Clóvis Souza com o setor começou ainda na infância, na Zona Leste de São Paulo.
O menino ajudava nas vendas em frente ao Cemitério da Quarta Parada e passava horas observando a rotina da floricultura Rosa de Maio, localizada no térreo do seu prédio.
A pedido da mãe, a dona do estabelecimento deu uma ocupação ao garoto para tirá-lo da rua, momento em que ele começou a aprender o ofício na prática.
O primeiro negócio e o salto para a internet
Ao longo do tempo, o interesse pelo universo dos buquês e arranjos cresceu. Aos 19 anos, o jovem abriu a sua primeira loja na cidade de São Caetano do Sul, no ABC Paulista. A operação inicial possuía um perfil praticamente familiar.
Desse modo, ele precisava acumular funções que iam do atendimento e montagem até as compras e entregas. Como não possuía formação específica, todo o aprendizado sobre gestão e logística ocorreu de forma totalmente empírica.
Posteriormente, o passo mais arriscado da companhia ocorreu no ano de 2000. Naquele período, o mercado digital ainda enfrentava forte desconfiança no Brasil.
Enquanto diversas empresas de tecnologia encerravam as suas atividades após a explosão da bolha da internet, o empresário decidiu criar uma plataforma online para vender os seus presentes. Foi exatamente nesse contexto que a gigante do varejo nasceu oficialmente.
Curiosamente, a marca carrega uma história bastante pessoal em sua identidade. Giuliana era o nome de uma ex-namorada do fundador. A escolha do título buscou uma palavra delicada e feminina.
A intenção era transmitir carinho e emoção, conectando pessoas por meio dos sentimentos em datas altamente afetivas.
Metas de expansão
Além disso, a estrutura operacional da empresa exige uma logística impecável. Grande parte das flores comercializadas tem origem em produtores nacionais.
A cidade de Holambra atua como a principal fornecedora e referência botânica do país. Devido a essa característica orgânica, o transporte figura como o principal desafio da marca.
Os itens extremamente delicados demandam rapidez e cuidados rigorosos para chegarem frescos aos clientes.
Atualmente, a empresa atua em um modelo híbrido, unindo a conveniência do ambiente virtual com a expansão física acelerada. O ecossistema atual reúne 20 lojas próprias e 18 franquias.
Desse total, 15 unidades de grande porte estão distribuídas por regiões estratégicas da Grande São Paulo, acompanhadas por boutiques, quiosques e máquinas de vendas automáticas.
Em consequência desse sucesso, a companhia projeta a abertura de mais de 50 novas franquias em 2026, visando alcançar diferentes perfis de consumo.
Por fim, as datas comemorativas continuam sendo o motor principal da companhia. O Dia das Mães lidera o calendário comercial e deve impulsionar uma alta de 15% nas vendas de 2026 em relação ao ano anterior.
A projeção aponta entre 28 mil e 30 mil pedidos apenas na semana que antecede a data, impulsionada por um portfólio com mais de 10 mil opções no site. O Dia dos Namorados também se consolida como um período de alto impacto nas receitas.
Embora o presidente não divulgue os ganhos oficiais, as avaliações do setor impressionam. Estimativas levantadas por Alexandre Abu-Jamra, dono da plataforma Klooks, baseadas em balanços públicos da área, indicam que a marca faturou cerca de 25 milhões de reais no último ano.
Portanto, a união entre a tecnologia e a emoção prova ser uma fórmula duradoura e altamente lucrativa.
