Em muitos casos, o que levou décadas para ser construído se desfaz em poucos anos / Freepik/tonodiaz
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Entrar para o seleto grupo dos bilionários já é um feito raro. Permanecer nele, porém, pode ser ainda mais difícil. Ao longo das últimas décadas, empresários que chegaram ao topo das listas de riqueza mundial também protagonizaram quedas impressionantes, motivadas por crises econômicas, decisões arriscadas, problemas judiciais ou colapsos de negócios que pareciam sólidos.
Algumas dessas histórias ficaram marcadas justamente pelo contraste entre o auge do sucesso e a velocidade com que fortunas gigantes desapareceram.
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A socialite norte-americana Jocelyn Wildenstein ficou conhecida mundialmente nos anos 1990, após o fim de seu casamento com o negociante de arte Alec Wildenstein.
O acordo de divórcio chamou atenção na época por envolver valores bilionários, amplamente noticiados pela imprensa internacional.
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Décadas depois, a realidade era outra. Em 2018, Jocelyn entrou com pedido de falência nos Estados Unidos, alegando possuir quantias mínimas em contas bancárias. Imóveis de alto padrão em Nova York foram alvo de processos judiciais para pagamento de dívidas.
Entre os fatores citados estavam disputas legais prolongadas, despesas elevadas ao longo dos anos e a dificuldade de liquidez de parte do patrimônio, que estaria atrelado a obras de arte cujo valor teria sido superestimado.
O caso acabou se tornando um exemplo recorrente quando se discute como grandes fortunas podem se dissolver com o tempo.
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Na Índia, o empresário Vijay Mallya construiu um império que reunia empresas de bebidas alcoólicas, aviação e até uma equipe de Fórmula 1. Seu estilo de vida extravagante e a imagem de empresário bem-sucedido lhe renderam o apelido de “King of Good Times”.
A trajetória começou a mudar após a crise financeira global de 2008. A Kingfisher Airlines, principal aposta de Mallya na aviação, passou a enfrentar dificuldades agravadas pelo aumento do preço do combustível e por fragilidades no modelo de negócios. A companhia acabou acumulando dívidas bilionárias com bancos indianos.
Com o agravamento da situação, o empresário passou a enfrentar acusações de fraude e lavagem de dinheiro relacionadas a empréstimos não quitados.
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Em 2016, deixou a Índia e se estabeleceu no Reino Unido, onde permanece envolvido em disputas judiciais sobre pedidos de extradição. Parte de seus ativos foi congelada ou vendida para pagamento de débitos.
No Brasil, o caso mais conhecido de queda meteórica é o de Eike Batista. Em 2012, o empresário figurava entre os homens mais ricos do mundo, com fortuna estimada em mais de US$ 30 bilhões. Seu grupo, o EBX, reunia empresas de setores estratégicos como petróleo, mineração e energia.
Grande parte desse valor estava associada às expectativas em torno da OGX, empresa petrolífera que prometia explorar campos considerados promissores.
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Quando os resultados de produção ficaram muito abaixo do que havia sido projetado, a confiança do mercado evaporou rapidamente.
As ações despencaram, credores passaram a pressionar e a OGX entrou em recuperação judicial – na época, a maior da América Latina.
O colapso financeiro abriu caminho para investigações que resultaram na prisão do empresário em desdobramentos da Operação Lava Jato e em sua posterior condenação por crimes ligados ao mercado financeiro.
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Apesar de ocorrerem em contextos muito diferentes, essas quedas costumam apresentar alguns elementos recorrentes.
Entre eles estão o uso intenso de endividamento, projeções de crescimento que não se confirmam, dependência de crédito em momentos de instabilidade econômica e falhas de governança corporativa.
Quando a confiança do mercado desaparece, empresas altamente alavancadas podem entrar rapidamente em um efeito dominó financeiro. Em muitos casos, o que levou décadas para ser construído se desfaz em poucos anos.
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As trajetórias desses empresários mostram que, no mundo dos grandes negócios, o caminho até o topo pode ser rápido – mas a descida, muitas vezes, acontece ainda mais depressa.