Vírus misterioso se espalha pelo mundo e provoca uma corrida global pela vacina. Até aí, a trama da série “Utopia”, que estreou na última sexta-feira (30) na Amazon Prime Video, é bastante parecida com o que está acontecendo desde que a pandemia do novo coronavírus se alastrou pelo mundo.
Gravada em 2019 e baseada na série britânica homônima criada por Dennis Kelly, que virou cult, a nova versão foi adaptada por Gillian Flynn (do livro e do filme “Garota Exemplar”, e da série “Sharp Objects”) e terá oito episódios. E conta com outros elementos que a diferenciam da realidade.
Na trama, um grupo de nerds acredita piamente que tudo o que está ocorrendo já foi previsto nas páginas de uma série de HQs (“Distopia” e sua continuação “Utopia”), protagonizada por Jessica Hyde (Sasha Lane), uma garota que cresceu sem os pais e que luta contra uma organização que seria responsável por espalhar um vírus misterioso de forma proposital. Tudo seria fruto, então, de uma grande teoria da conspiração.
O ator Rainn Wilson (o Dwight Schrute da versão americana de “The Office”) interpreta Michael Stearns, um cientista frustrado por ter poucos recursos para suas pesquisas. Ele acaba sendo uma peça-chave quando o vírus aparece, já que é sua área de estudo.
“‘Utopia’ espelha o mundo contemporâneo e especialmente a América contemporânea de muitas maneiras nesta pandemia”, diz Wilson, em bate-papo com a imprensa internacional, do qual o F5 participou. “Você tem todos esses cientistas subfinanciados em instituições de pesquisa que poderiam ter feito um trabalho realmente valioso se tivessem os recursos, mas a única maneira de obter financiamento real nos Estados Unidos é por grandes empresas farmacêuticas.”
O ator se diz surpreso com as coincidências que ocorreram após eles terminarem de rodar. “Quando percebemos o que estava acontecendo em todo o mundo, percebemos como os paralelos com a série são absolutamente insanos.”
Ele também comenta a coincidência de estar novamente em uma adaptação de um sucesso britânico. “Tenho alguma experiência em refazer programas do Reino Unido”, diz. “Com ‘The Office’, pegamos emprestado todas as melhores partes e a dinâmica maravilhosa que Ricky Gervais criou e depois tentamos fazer uma série que sabíamos que o público americano ia gostar.”
Desta vez, ele diz que não procurou inspiração na versão original. “Eu não vi a versão do Reino Unido e não queria ser influenciado por ela, mas sei que Gillian Flynn realmente a reimaginou e reinventou”, comenta.
John Cusack, que interpreta um grande empresário, Kevin Christie, que se mostra interessado em produzir uma vacina, conta que tentou construir seu personagem pensando na figura dos ricaços filantropos envolvidos em temas ambientais. “Você pode escolher os bilionários ocidentais que dizem a todos, todos os dias, como eles são benevolentes”, compara. “Há valor em um cara que, na verdade, não está apenas ganhando dinheiro, mas trabalhando para tentar criar uma alternativa.”
O ator também opina sobre as teorias da conspiração e diz que elas são baseadas na desconfiança que as pessoas têm de quem está no poder. Segundo ele, a que mais o preocupa nos dias atuais é a de que somos controlados pelas redes sociais.
“As empresas de mídia social, que são realmente empresas de mineração de dados mascarando empresas de mídia social, usam algoritmos para jogar com os medos e preconceito das pessoas e a espalhar desinformação rapidamente”, lamenta.
Mais adepto do cinema, ele afirma ainda que aceitou o convite para participar da série por ser fã de Gillian Flynn. “Fiquei muito animado ao receber a ligação dela”, afirma o artista. (FP)
