Simas e Douglas Germano revelam música sobre ‘gol extraordinário’ na Copa de 1970

'Desbancando Gordon Banks' conta a história do gol de Jairzinho contra a Inglaterra pela visão de Luiz Antonio Simas e Douglas Germano

Luiz Antonio Simas e Douglas Germano

Luiz Antonio Simas e Douglas Germano | Reprodução

O historiador Luiz Antonio Simas e o músico Douglas Germano divulgaram nesta quarta-feira Desbancando Gordon Banks, um samba de exaltação ao gol feito por Jairzinho contra a Inglaterra na Copa do Mundo de 1970, no estádio Jalisco, em Guadalajara. A letra cita a sequência de dribles de Tostão no lance (inclusive com uma caneta em Bobby Moore), o passe “com brandura” de Pelé e o golaço de Jairzinho.

Continua após a publicidade

A canção, gravada agora de forma caseira, ganhará novo arranjo e fará parte do próximo álbum de Douglas Germano, “que está em gestação”, explicou o compositor. A dupla terá outras parcerias no lançamento.

Já Simas, historiador carioca, apaixonado pelo Brasil do cotidiano e autor de vários livros sobre a gente brasileira, contou à reportagem da Gazeta de S. Paulo e do Diário do Litoral que a ideia das composições feitas pelos dois “é a de  pegar o extraordinário no que aparentemente é corriqueiro, como essa jogada”.

Continua após a publicidade

“A ideia foi uma guerra entre a flecha Canarinho e a Excalibur. Daquele jogo, ficou muito famosa a defesa do Gordon Banks na cabeçada do Pelé. A canção surgiu da sonoridade de desbancar o Banks”, começou Simas sobre Desbancando Gordon Banks.

“Banks, goleiraço, montou a banca com toda a razão na cabeçada do Pelé, mas ele é desbancado depois pela jogada extraordinária do Tostão, pela bola do Pelé ao Jair e pelo chute. Para mim é a jogada mais bonita da história da seleção brasileira, num jogo muito tenso”, esclareceu o historiador.

Continua após a publicidade

Ele também fez questão de exaltar o parceiro na canção, o paulistano Douglas Germano, autor ainda jovem de um punhado de obras-primas da música nacional. “O Douglas é o Tostão. O violão do Douglas é aquela coisa de sair metendo caneta no Bobby Moore, de sair fazendo miséria”, desmanchou-se.

Com a verve de professor de história, Simas ainda revelou o significado do termo “marupiara” citado na letra: “Marupiara é uma expressão do tupi que significa feliz, é o moleque feliz, é o moleque que está brincando. Então sete marupiara foi essa felicidade do Jair, a maneira de bater na bola”.

Continua após a publicidade

O jogo que inspirou o samba

A partida entre os brasileiros e os europeus era válida pela primeira fase da competição, não valia classificação e terminou com uma vitória nacional pelo placar mínimo, mas entrou para a história por uma série de fatores. O principal foi pela atuação monstruosa de Gordon Banks, o arqueiro inglês daquela peleja. Daí veio o nome da música.

Continua após a publicidade

Banks havia feito no primeiro tempo uma defesa impressionante após uma cabeçada à queima roupa de Pelé – o lance ficaria conhecido depois como a maior defesa da história do futebol. Durante o jogo fez outras intervenções assustadoras. Só foi desbancado aos 15 minutos da segunda etapa pela jogada histórica do escrete canarinho.

Foi quando Tostão deu uma série de dribles pela entrada da área (inclusive uma caneta na lenda Booby Moore) e cruzou para Pelé. O Rei dominou a redonda e a “rolou com brandura” para Jairzinho, que disparou contra a meta do britânico. O goleiro não pôde fazer nada, e os “canários amarelos” saíram pulando pelo gramado, em celebração.

Continua após a publicidade

Simas, o autor da letra, é torcedor do Botafogo, e pode ter vindo daí a ideia de exaltar o gol de Jairzinho, um dos maiores ídolos da história do clube carioca. No fim, porém, o samba se tornou uma celebração ao povo nacional representado pelos jogadores, ao retratar um momento em que o complexo de vira-latas queria dar as caras de novo no futebol brasileiro. Jairzinho não deixou.

Leia a letra:

Continua após a publicidade

Desbancando Gordon Banks

Quando por três Tostão passa ciscando
Metendo caneta em Bobby Moore
A velha Albion cai no gramado do Jalisco
E a flecha, como um risco, entorta Excalibur.

Continua após a publicidade

Cruzada, a redonda vê o Rei 
Soberano como o Manicongo
Que preciso como arqueiro zen
Sente o Furacão rente ao ombro

E a bola, rolada com brandura
Só espera a bomba do Miúra
Pra porrada que desbanque Gordon Banks

Continua após a publicidade

E é gol do sete marupiara!
E é gol do sete marupiara!
Socam o ar os canários amarelos
Feito as ibejadas nos terreiros
No meio-dia de Guadalajara.

Ouça a música: