A Cartografia Afetiva mediará a roda de conversa para fomentar a troca de experiências entre cinco escritoras negras da Baixada Santista, neste sábado (19), no auditório do Museu de Café, em Santos.
Participam desse diálogo as autoras Ana Lúcia, escritora, assistente social, professora universitária e membra do Coletivo Porto Negro; Cintia Neli, poeta periférica, escritora de crônicas periféricas, produtora cultural, fotógrafa de guerrilha, assistente social, especialista em direitos humanos, diversidade e violência ; Juliana do Espírito Santo, poeta, artista da cena, pesquisadora e arte-educadora, pesquisadora artística sobre voz e memória; Julie Lua, poeta, escritora, arte-educadora, articuladora social e idealizadora da biblioteca comunitária Conto de Fadas Periférico; Miriam Vieira, atriz, diretora de teatro, produtora Cultural e afroempreendedora, ativista de movimentos culturais; e a idealizadora do projeto, Ornella Rodrigues, que é poeta, escritora, fotógrafa e educadora e ativista dos direitos humanos.
O encontro será transmitido pelo YouTube do Museu do Café. É obrigatório o uso de máscaras e a apresentação do comprovante de vacinação (3 doses).
Continuidade
Na segunda etapa do projeto será realizada uma Mostra Cultural para apresentar os trabalhos de escritoras locais, com formulário de inscrição online para que outras escritoras negras participem e se inscrevam até 30 de março.
Sobre o projeto
Dentro de todos há um mapa de memórias. Afetações que vêm desde o nascimento, até o momento atual. O que se é agora faz parte de outros mapas, outros atravessamentos. Histórias contadas por antepassados, lugares que foram perdidos pelo tempo ou preservados somente na oralidade. Como resgatar, então, essas memórias perdidas, ressignificando a identidade, buscando uma ancestralidade ainda viva?
Essa busca faz parte do projeto artístico da escritora, poeta e fotógrafa Ornella Rodrigues, que busca, por meio da cartografia afetiva, as raízes de sua identidade negra. Mergulhando em uma vivência fotográfica que tem justamente, por objetivo, o resgate dessas memórias afetivas, trazendo à tona traços e revelações sobre o que somos e, principalmente, de onde viemos.
Projeto Cartografia Afetiva
Por meio do registro fotográfico “mobile” (celulares) e no conceito de escrevivências, um olhar sensível sobre as referências e memórias ancestrais negras, fortalecendo mulheres que possuem pouco ou nenhum acesso à arte e à cultura dentro da cidade.
No formato de oficina\aula aberta, a proponente oferecerá as participantes, além de noções básicas da fotografia mobile, oficinas de escrita poética, além de conceitos de identidade, ancestralidade, e outros processos artísticos similares, para execução da vivência prática da cartografia com posterior seleção de imagens e textos para confecção de uma revista que será distribuída gratuitamente.
O conceito de escrevivência como proposta pedagógica de registro de mulheres negras e periféricas tem se espalhado na realização das oficinas de escrita poética, como também, nos livros de autoras contemporâneas. De forma simples, utilizando a escrita e linguagem coloquial, novas autoras colocam suas escritas guardadas nas redes sociais, blogs e outros meios de vinculação. Nossa proposta é dar acesso a essas mulheres nessa prática, que para muitas de nós, se tornou ancestral, pois, além de dar visibilidade mantêm a história de vida e luta dessas mulheres vivas e pulsantes.
Sobre as autoras
Ana Lucia dos Santos, escritora, assistente social e professora universitária. Começou a escrever de forma mais sistemática em março de 2009 (contos, poemas, artigos e crônicas). Teve seus escritos publicados em várias Antologias: duas de poesias e nove de contos. Autora de dois livros. “Memórias e Histórias – Eponinos, negros de São Mateus”, publicado em 2017 e Coletânea de contos “O Segredo dos Pássaros”, publicado em 2020. Também escreveu vários artigos publicados no jornal local. Ganhadora do Prêmio Cartola de Literatura em 2020, na Antologia “Orixás histórias de nossos ancestrais” – com o conto “Chamado de Oxóssi”.
Cintia Neli, mulher preta, assistente social, especialista em direitos humanos, diversidade e violência, pela UFABC, especialista em gestão de políticas públicas, pela Unicamp. Produtora cultural, poeta periférica, escritora de crônicas periféricas, fotógrafa de guerrilha, integrante do Grupo de Estudos das Relações Étnicos Raciais e o Serviço Social (GERESS), integrante do Comitê de Combate ao Racismo do Conselho Regional de Serviço Social de São Paulo (CRESS/SP), integrante da Frente Nacional de Assistentes Sociais no Combate ao Racismo.
Juliana do Espírito Santo da Silva, artista da cena, poeta, pesquisadora e arte-educadora, com formação em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Londrina. Pesquisadora artística sobre voz e memória no contexto dos deslocamentos migratórios e afrodiaspóricos. Dirigiu e atuou no monólogo Um discurso para minha avó (2014). Dirigiu e atuou como dramaturga-colaboradora, em Lágrima de Laura, criado com por Priscila Ribeiro (2019). Em 2021 lançou o primeiro livro com poemas e xilogravuras, Sentido Semelhante, realizado em parceria com a artista visual Aline Benedito, a Fixxa. Cursa mestrado em Artes da Cena, na Unicamp, também é atriz e diretora na Cia Vozavós de Teatro, juntamente com outras e outres artistas pesquisadores. Colaboradora dos coletivos Brincar-elas, e Lua Coletivo.
Julie Lua, poeta, escritora, arte-educadora, mãe solo, moradora de Praia Grande articuladora social e idealizadora da biblioteca comunitária Conto de Fadas Periférico que promove e incentiva a literatura negra infantil.
Miriam Vieira, atriz, diretora de teatro, produtora Cultural e afroempreendedora.
Nascida em São Vicente SP, dirige a Cia Cena Preta, Cia Trilha, Cia Teatral Cenicomania; ativista de movimentos Culturais: Escreva poemas e contos, Movimento Amplo Cultural de São Vicente, Frente Ampla Pela Cultura Baixada Santista, Movimento Teatral da Baixada Santista, Fórum Litoral Interior e Grande São Paulo.
Ornella Rodrigues, poeta, escritora, fotógrafa e educadora. Formada em Letras e pós graduada em Psicopedagogia.
Ativista dos direitos humanos, iniciou sua militância como colaboradora da Casa de Cultura da Mulher Negra de Santos, fundada por Alzira Rufino. É voluntária nos núcleos Educafro da Baixada Santista há mais de sete anos, ministrando aulas de literatura e redação e coordenando ações de enfrentamento ao racismo institucional. Colaborou com a formação dos conselhos municipais de juventude das cidades de Santos e São Vicente, ocupando a cadeira de mulheres negras e na cidade de São Vicente na cadeira de comunidade negra. Educadora social, atua em projetos sociais nas comunidades da Baixada Santista, produzindo cultura e socializando conhecimento, em equipamentos da secretaria de assistência social de Santos, utilizando a fotografia e a produção textual. Atualmente dedica-se ao projeto fotográfico e poético, “Cartografia afetiva, ancestralidade viva”, que propõe uma discussão sobre memória afetiva e identidade negra, utilizando a linguagem fotográfica e poética. Em 2018, lançou o livro “Como domar um coração selvagem”, pela Editora Fractal e está na pré-produção do próximo, intitulado “Vênus em touro”, de forma independente.
