Ontem, o Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba União Imperial completou 40 anos. Uma grande festa foi realizada na quadra da escola do Marapé, envolvendo a história da entidade e seus principais personagens durante as quatro décadas de vida carnavalesca da agremiação, cujas cores verde e rosa são em homenagem à Estação Primeira de Mangueira. No Papo de Domingo, o Diário conversou com o presidente Francisco Carlos dos Santos, o Pitico, que falou sobre as decepções com os carnavais de Santos e do Rio de Janeiro. Confira os principais pontos da entrevista:
Diário do Litoral (DL) – A homenagem que a Grande Rio fez para Santos foi bastante criticada pelos santistas. Você também não a aprovou?
Francisco Carlos dos Santos (Pitico) – Desde o início, quando veio a comitiva da Grande Rio assinar o convênio no Monte Serrat, eu já estranhei como o carnavalesco iria colocar o enredo na Marquês de Sapucaí. Na verdade, eu não gostei. Quando eu li a sinopse, piorou. Era um ‘samba do crioulo doido’. O enredo não tinha nada a ver.
DL – As escolas de samba foram consultadas?
Pitico – Iria ocorrer um concurso. A escola de samba de Santos que vencesse iria disputar com o apresentado pela escola carioca. E isso não ocorreu. Mesmo assim, quatro ou cinco sambas da Baixada foram enviados para o Rio por compositores santistas. O samba do Rubens Gordinho, da Unidos dos Morros, era o que mais se aproximava do enredo. Mas foi derrubado na final, ganhando o que foi apresentado que, na minha opinião, não retratava a Cidade de Santos.
DL – A Prefeitura não poderia ter evitado esse enredo equivocado?
Pitico – Poderia ter prestado mais auxílio. Temos grandes escritores, historiadores, agentes culturais, enfim, a Administração poderia ter dado um ‘empurrãozinho’ para colocar o carnavalesco de da Grande Rio mais próximo da história e da sociedade santista. Somos fãs do Mamonas Assassinas, como também do Pelé e Neymar, mas esse grupo e esses personagens não resumem Santos.
DL – Foi um enredo pobre?
Pitico – Santos é muito mais do que foi apresentado. Faltou dezenas de grandes personagens, como Saturnino de Brito, Pagu, José Bonifácio, nossos monumentos, enfim. Eu não sei dizer de que forma os R$ 15 milhões da patrocinadora entraram na Prefeitura e como saiu, mas eu sei dizer que essa empresa (Libra) existe em Santos e no Rio e apoia a escola de samba carioca.
DL – Sobre o carnaval santista. A desfiliação de algumas escolas da Liga foi a melhor opção?
Pitico – Posso te dizer que o presidente da Liga (Fabiano Paes – Dentinho) pediu demissão. Eu sou presidente do Conselho Deliberativo e também pedi demissão. Eu sempre discordei da forma como as escolas faziam, escolhiam e votavam. Com o passar do tempo, eu fui me desempolgando. Quando ocorreu a verdadeira catástrofe do último carnaval, foi a ‘gota d’água’.
DL – Você questiona a condução do Carnaval de forma geral?
Pitico – A contratação dos profissionais para trabalhar como jurados foi uma catástrofe. Eu não fui favorável a empresa que julgou o Carnaval Santista. Eu esperava que mais empresas apresentassem propostas e isso não ocorreu. Por conta do tempo, só uma empresa de jurados apresentou proposta. Então, não teve alternativa, concorrência. Uma outra empresa entregou envelope, mas a proposta nunca foi lida para os presidentes das escolas que formam a Liga. Não posso dizer que houve fraude, mas notamos que os jurados eram incapazes. Houve brecha para falcatrua.
DL – Anteriormente outras empresas concorreram?
Pitico – Sim, sempre duas ou três empresas de jurados participavam. O presidente da Liga sabia que existia outra proposta e que deveria ser lida e avaliada. Então, precisaria mais tempo para escolher. Por exemplo, a ficha dos julgadores não possuía fotos. Cada presidente teria que ter em mãos todas as fichas dos julgadores e isso não ocorreu. Não houve tempo hábil para análise. A Liga foi, infelizmente, incompetente. O Dentinho é meu amigo, tinha boas intenções, mas se perdeu.
