Cultura

Mulheres em cena: qual legado do FESTA 60?

A 60ª edição do Festival Santista de Teatro teve como tema as mulheres e questionou temas fundamentais que permeiam o universo feminino: o patriarcado, o aborto, o capitalismo, a violência, o empoderamento, o protagonismo e a representatividade.

Rafaella Martinez

Publicado em 02/09/2018 às 12:16

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A peça "Cinderela Brasileira". / Divulgação

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Somos muitas! Somos de Santos, da Baixada, de São Paulo, de Fortaleza, de Minas, de Porto Alegre e da Bahia. Somos mulheres que em cena – e também fora dela – lutam pela arte. A 60ª edição do Festival Santista de Teatro teve como tema as mulheres e questionou temas fundamentais que permeiam o universo feminino: o patriarcado, o aborto, o capitalismo, a violência, o empoderamento, o protagonismo e a representatividade.

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Letícia Sabatella, atriz que participou da abertura do FESTA 60 destaca a potência do Festival. “É muito bonita a tradição que é o FESTA e saber que temos a figura de uma mulher tão combativa como Pagu abençoando ele até hoje. Sei que carrego uma ancestralidade de muitas mulheres que vieram antes de mim e acho que o que a gente deseja para o futuro é cada vez mais espaços ocupados por elas. Deixa a mulher cantar, deixa a mulher falar, ser direção de cena, deixa ela criar, ser autora dessa sociedade também”, conta.

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Para Edla Maia, do Coletivo Arremate de Fortaleza, a experiência foi transformadora. “Como artista de teatro e pesquisadora do feminino, o FESTA 60 foi uma experiência de muita alimentação intelectual, sensitiva e apreciativa. Esse intercâmbio cultural com Santos, organizado pelos fazedores operários de teatro daqui, me faz confirmar como a força do coletivo tem poder”, pontua.

Para a atriz, o festival é um marco. “Eu nunca vi um festival tão potente, tão politizado, tão organizado e acolhedor. Sinto profunda alegria em participar de um festival que está preocupado com as questões que precisam ser colocadas em pauta e dialogadas com o público e entre os artistas também. A transformação é via de mão- dupla. E é isso que tenho tido o prazer de viver aqui. Volto pra Fortaleza e deixo aqui meu coração inteiro com esse movimento, levando o nome de um festival que serve de modelo para o país”, destaca.

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De acordo com Deborah Finocchiaro e Áurea Baptista, de Porto Alegre, o festival é um símbolo de resistência. “Em um momento político e econômico tão caótico é um prazer conhecer esse movimento teatral que é um exemplo para o Brasil de força e união. Temos que multiplicar isso”, conta.

Programação

Em cena hoje no FESTA, a Casa 3 apresenta ‘Cinderela Brasileira’. Na peça, um contador de causos apresenta personagens típicos do sertão nordestino revelando a história de Cinderela Brasileira, a Gata Cangaceira. O clássico ganha uma nova roupagem e características amplamente conhecidas do nordeste brasileiro: sotaque arrastado, o cancioneiro e o jeito autêntico desse povo festeiro e sonhador. 

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Já no palco do Teatro Guarany, a premiada Grace Passô apresenta ‘Vaga Carne’. A obra transita entre a palavra e o movimento, abordando com poesia o universo feminino e suas raízes culturais. Em cena, um corpo de mulher vive a urgência do discurso, em busca de suas identidades e de pertencimento. Invadido por uma voz errante, ele narra o que sente enquanto sujeito, enquanto mulher. E ainda o que finge sentir e o que seu corpo significa para o outro que o vê. 

Por este solo, Grace Passô recebeu o Prêmio Shell de Melhor Autora em 2017 e foi indicada ao prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte de Melhor Espetáculo. 
 
As Clarianas, grupo de pesquisa musical que tem como mote principal a investigação da voz da mulher “ancestral” na música popular do Brasil também se apresenta. A base do repertório é autoral, unindo vozes aos tambores, poesia, teatralidade e celebração. 

AGENDA

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Domingo, 2 de Setembro

14h - Ceu das Artes Da Zona Noroeste |Cinderela Brasileira, do Grupo Casa 3 (Guarujá)
14h – Monte Serrat | Cortejo Praiaças, do Movimento de Palhaçaria Feminina da B. Santista 
16h – Centro Cultural Cadeia Velha | Debate Geral com os Grupos da Mostra Regional
18h – Teatro Municipal | Cinderela Brasileira, do Grupo Casa 3 (Guarujá)
19h30 – Teatro Municipal Brás Cubas | Vaga Carne, de Grace Passô (Belo Horizonte)
21h – Teatro Guarany | Clarianas, grupo de pesquisa musical
22h – Praça dos Andradas | Intervenção Urbana ‘Ocupação Ela’

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