“Emocionada fiquei com tudo e todos. Senti vontade de sambar, de cantar de jogar capoeira e de dançar o Maculelê. Vi a história do meu País contada e cantada em verso e prosa. E que canto e que prosa! Lindos e sonoros. Nesses tempos onde estamos reafirmando o processo democrático desse Brasil, é bom ver produções assim. Me fez lembrar uma velha canção: todo artista tem de ir aonde o povo está”.
O entusiasmo é de Rosa Bertholini, que esteve neste sábado (7), às 20 horas, na Praça Mauá, no Centro, assistindo a apresentação da Ópera Samba José Bonifácio de Andrada e Silva – herói da Pátria, patriarca da Independência, que contou com a participação de 800 artistas e mais de mil expectadores. O espetáculo será realizado também neste domingo (7), no mesmo horário e local.
É a primeira ópera-samba do país. A encenação foi dirigida por Tanah Corrêa e seu principal compromisso foi o de resgatar a memória de José Bonifácio, que teve importância significativa na história do Brasil e na Proclamação da Independência, que completa 250 anos este ano.
Durante cerca duas horas e meia de apresentação, o público se deparou com um desfile de escola de samba, divididos em atos, com cada grupo artístico de diferentes modalidades (poesia, dança, teatro, reisado, capoeira e outros) se apresentando contando parte da história que também teve narrações cantadas e diálogos, incluindo um samba-enredo em homenagem ao patriarca.
Leia também:
Ator Alexandre Borges visita a redação do Diário do Litoral
‘É um momento propício para se falar de Bonifácio’

Vale a pena enfatizar que a parte musical seguiu sob a batuta do compositor e diretor musical, Gil Nuno Vaz, que, com alunos de licenciatura em Música da Universidade Católica de Santos (UniSantos), deram vida aos poemas de José Bonifácio, tornando-o mais popular.
A história foi contada do nascimento de Bonifácio até sua nomeação como tutor de Dom Pedro II, que se tornou príncipe regente aos cinco anos de idade. A dramaturga Orleyde Faya realizou uma grande pesquisa, conseguindo resgatar fatos importantes como a abolição dos escravos pelo patriarca, em Santos, mesmo antes da Lei Áurea, sua luta pela defesa das baleias, e sua presença na Revolução Francesa, além da condução de Dom Pedro I, na Proclamação da Independência. A dramaturga também encontrou poemas escritos por José Bonifácio, sob o pseudônimo de Américo Elíseo, que foram declamados e musicados.
Tanah Corrêa, diretor geral do projeto optou por trabalhar com diversos grupos artísticos da região para montar um espetáculo inusitado, com uma estética diferente, com direção de movimento de Maristela Sild e direção artística de Sonia Arashiro. Como José Bonifácio estava o reconhecido ator Alexandre Borges, a principal estrela da encenação.
“É um espetáculo marcante para a história de Santos porque reverencia a história de José Bonifácio. Com certeza, esse evento fará parte do calendário da Cidade. A população também deu uma grande resposta com sua presença”, disse o secretário Raul Christiano que recebeu da jornalista e crítica teatral, Carmelinda Guimarães, a sugestão de no ano que vem utilizar os prédios do entorno como espécies de camarotes. “Gostei da ideia e vamos tentar coloca-la em prática na próxima”.
O prefeito Paulo Alexandre Barbosa disse que hoje (7) foi um dia histórico em função da retomada da encenação. “Uma justa homenagem ao maior santista de todos os tempos e uma oportunidade para que todas santistas conheçam sua história”, finalizou o prefeito, garantindo a continuidade do espetáculo.