Crítica

'Anatomia de Uma Queda' é apenas um simples filme de tribunal

Indicado a cinco categorias do Oscar 2024, longa de Justine Triet não foge dos padrões do gênero

Gabriel Fernandes

Publicado em 05/02/2024 às 08:30

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Filme já venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2023 / Diamond Films/Divulgação

Depois de conquistar a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2023, "Anatomia de Uma Queda" automaticamente começou a chamar a atenção dos cinéfilos. Mesmo roubando a cena em várias cerimônias, como na última edição do Globo de Ouro (onde levou os prêmios de filme estrangeiro e roteiro), a comissão francesa não acreditou no potencial do título e resolveu escolher como seu representante ao Oscar 2024 o drama "O Sabor da Vida" (estrelado por Juliette Binoche), que não foi um dos cinco finalistas na categoria de filme estrangeiro.

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Enquanto eles amarguraram esta derrota, o drama de tribunal da cineasta Justine Triet foi indicado para melhor direção, filme, atriz para Sandra Hüller, montagem e roteiro original. Embora o escopo já seja conhecido por grande parte do público, é uma trama que possui uma bala na agulha para tirar Christopher Nolan e seu "Oppenheimer" da conquista do careca dourado. Uma vez que a própria cerimônia irá ocorrer dois dias depois do Dia Internacional das Mulher (comemorado em 08 de março), e a Academia sempre aproveita estes ganchos para premiar alguma diretora indicada.

A história gira em torno da escritora Sandra Voyter (Hüller), cujo marido sofre um acidente fatal após cair da janela do sótão de sua casa. Como era a única pessoa no local, ela se transforma na principal suspeita. Nos tribunais, ela terá de lutar não apenas para provar sua inocência, como também terá de lidar com as revelações de seus segredos mais obscuros.   

Triet sabe que o cinema em geral já adaptou este tipo de história várias vezes, então resolve focar em uma abordagem um tanto quanto diferente e inusitada. Para isso, o enredo não terá apenas o ponto de vista da própria Sandra, como também de seu filho Daniel (interpretado por Milo Machado Graner) que sofre de cegueira desde os quatro anos. Ambos possuem um entrosamento enorme, como mãe e filho, mas ele rouba a cena e sempre transparece ser um garoto realmente cego (inclusive, seria justo tê-lo visto entre os indicados ao Oscar de ator coadjuvante).

Para mostrar estes pontos de vista, de forma técnica, Triet usa a sutileza nos seus enquadramentos em momentos cruciais, como se colocar junto do olhar de Daniel, enquanto observa sua mãe comentando algo crucial diante da corte (e que poderia ser perturbador para uma criança). Mesmo não apresentando nada grotesco visualmente, o teor violento e sexual está presente nestes diálogos.

Ao mesmo tempo que a vida deles vira uma verdadeira montanha russa, o enredo tenta nos transportar para aquele cenário e nos faz refletir sobre "o que faríamos se alguém que amamos passasse por isso?". Por conta disso, Triet vai até o limite da insanidade para este tipo de produção, que vão desde discussões sobre a sociedade atual, mesmo de forma breve, e como a imprensa pode afetar uma criança envolvida neste cenário.

"Anatomia de Uma Queda" merece o reconhecimento recebido, mas não chega a ser um filme de tribunal marcante como muitos outros.

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