‘Crise do Silício’ faz o preço dos celulares, carros, geladeiras e de outros eletrônicos chegarem à valores assustadores; entenda o impacto no seu bolso

Nova crise no setor deixa aparelhos e veículos mais caros e atinge em cheio o bolso do comprador

Uma carteira vazia aberta em uma loja de eletrônicos

Em entrevista ao Diário, O professor e mestre em Engenharia Mecânica Yuri Silva Cruz Storino, explica o que levou esse cenário (Google Gemini/Imagem Gerada por IA)

Nos últimos meses, os preços de videogames, celulares e computadores dispararam. O PlayStation 5, por exemplo, custava na faixa dos R$ 2,5 mil e hoje chega a atingir R$ 5,2 mil. Esse cenário decorre do consumo massivo de uma peça presente nestes equipamentos, chamada de memória RAM, que ultimamente é usada excessivamente por centrais de dados que operam plataformas de inteligência artificial (IA).

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O professor e mestre em Engenharia Mecânica, e professor de Engenharia de Computação da Unisanta, Yuri Silva Cruz Storino, explica que o setor batizou essa escalada no consumo de “Crise do Silício”, impulsionada diretamente pela expansão da IA.

O que é memória RAM?

Os módulos RAM armazenam os dados temporários dos dispositivos. Quando o usuário abre um aplicativo no celular ou assiste a um vídeo, a RAM guarda essas informações de forma imediata, por mais simples que seja a ação.

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Conheça alguns utensílios eletrônicos, muito deles usados no dia a dia, que necessitam ter memória RAM para funcionarem adequadamente:

“Elas estão presentes não só em computadores e notebooks, mas também em celulares, máquinas de lavar, geladeiras, automóveis, fechaduras eletrônicas, aspiradores de pó, entre outros”, comentou.

O impacto da inteligência artificial

As plataformas que operam com IA exigem um volume muito maior de armazenamento de dados. Desse modo, cada comando enviado para o recurso “pensar” vai além da simples consulta: o sistema também salva a informação na memória RAM.

Como o acesso de milhões de usuários é constante, as empresas de tecnologia demandam estoques cada vez maiores desse componente.

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“Esse aumento gerou uma demanda tão alta para uma produção que não cresceu na mesma proporção, sendo então afetada pela conhecida crise do silício”, explicou o professor.

“O silício é a matéria-prima base para praticamente todos os dispositivos eletrônicos conhecidos atualmente, porém sua produção não tem acompanhado o ritmo de fabricação de produtos eletrônicos, dentre eles as memórias RAM”.

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Storino destaca que a fabricação limitada e a alta procura por memórias atingem em cheio o bolso do consumidor final. “Não só profissionais da área de tecnologia e os famosos gamers, mas também quem deseja comprar um carro (elétrico ou a combustão), um videogame”, concluiu.

Mercado

Diante deste cenário, fabricantes globais como a TSMC e a Samsung, estão focando suas produções para atender empresas como a Microsoft, Google e Nvidia, que possuem uma alta demanda de inteligência artificial. Com isso, o mercado de eletrônicos acaba ficando em segundo plano.

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Com isso, algumas empresas optaram por aumentar os preços dos seus produtos eletrônicos. Alguns exemplos são a Sony, Microsoft e Nintendo. A primeira elevou os preços do Playstation 5 para US$ 649,99, da PS5 Digital Edition em US$ 599,99 e do PS5 Pro em US$ 899,99. 

Diante dessa decisão, a empresa explicou que a medida se atribuiu a “pressões contínuas no cenário econômico global”.

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Futuro

Mesmo que o cenário caótico dificulte a compra de muitos eletrônicos, Yuri enxerga uma perspectiva de melhora para os próximos anos. “É muito incerto ainda, mas creio que como em todas as crises, isso deve se regularizar em poucos anos”, explica.

O professor exemplifica a situação relembrando o período da pandemia da Covid-19, quando o mercado também enfrentou o mesmo problema.

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“Durante a pandemia, houve a ‘Crise de Silício’ em grande parte por conta das quarentenas e outras, que reduziu a produção e consequentemente a demanda do mercado não foi suprida. Porém com o término da pandemia, isso foi se regularizando conforme a produção voltou ao normal”, comentou.

A diferença é que, ao contrário do gargalo logístico do passado, o cenário atual decorre da explosão de demanda. As fabricantes não conseguem dar conta do volume de pedidos e acabam priorizando as empresas que pagam mais.

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“O mercado deve direcionar seu capital para outras coisas, e consequentemente as fabricantes vão precisar gerar melhor eficiência com a matéria prima, e também ofertar melhores valores em seus produtos para que elas não entrem em uma situação financeira ruim”, concluiu.