Resultados de experimentos levantam mais dúvidas do que respostas / (Foto: Mauricio Antón / Wikimedia Commons)
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O programa Adote um Mamute, da Universidade do Alasca, oferece uma oportunidade única para entusiastas da ciência financiarem pesquisas. Por meio de doações de 350 dólares, os participantes ajudam na identificação de fósseis antigos do Museu do Norte. No entanto, uma dessas adoções recentes revelou uma surpresa que ninguém no museu esperava encontrar.
Dessa forma, a análise de um par de ossos guardados há 70 anos trouxe à tona um mistério científico intrigante.
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O material, que todos acreditavam pertencer a um mamute-lanoso, teve sua verdadeira identidade revelada por testes modernos. Inesperadamente, os pesquisadores descobriram que estavam lidando com restos de uma baleia.
O arqueólogo Otto Geist encontrou essas peças em 1951, durante uma expedição na remota região da Beríngia. Naquela época, o tamanho avantajado dos ossos e a localização terrestre levaram à classificação imediata como mamute.
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Como esses gigantes eram comuns na área, a hipótese nunca foi contestada até o início do programa de adoção.
Atualmente, graças aos recursos dos doadores, a equipe conseguiu realizar a datação por radiocarbono e análises químicas. Os resultados mostraram que os ossos têm entre 2 mil e 3 mil anos, sendo muito mais recentes que a maioria dos mamutes.
Além disso, altos níveis de nitrogênio e carbono confirmaram que o animal era, de fato, marinho.
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Com a confirmação da espécie, surgiu uma dúvida ainda maior: como uma baleia foi parar no interior do Alasca? A região da Beríngia é continental e fica situada a uma distância considerável do oceano atual.
Por isso, os cientistas agora tentam entender o trajeto que esse animal ou seus ossos percorreram.
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Uma das teorias sugere que o animal poderia ter subido rios, assim como fazem alguns tubarões hoje em dia. Entretanto, o porte físico da baleia e a estreiteza dos canais da região tornam essa migração muito difícil.
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Outra possibilidade envolve o transporte por humanos ancestrais, embora não existam marcas de ferramentas nos fósseis.
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Consequentemente, o mistério permanece sem uma resposta definitiva para a comunidade acadêmica. Segundo o biogeoquímico Matthew Wooller, “Em última análise, isso pode nunca ser completamente resolvido”.
Assim, o museu agora guarda um fóssil que desafia as explicações tradicionais da arqueologia russa e americana.