Variedades

Cientistas detectam algo estranho no núcleo da Terra e isso está afetando a rotação da terra

Pesquisadores Yi Yang e Xiaodong Song, da Universidade de Pequim, analisaram ondas sísmicas de terremotos que atravessaram o núcleo interno desde os anos 1960 e observaram desaceleração

Nathalia Alves

Publicado em 16/03/2026 às 19:46

Compartilhe:

Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe por E-mail

Análise comparou registros sísmicos entre 1980-1990 (com mudanças claras) e 2010-2020 (com pouca ou nenhuma diferença), indicando possível cessação da rotação / Reprodução/ Imagem feita por IA

Continua depois da publicidade

Um estudo da Universidade de Pequim sobre o núcleo interno da Terra voltou a ganhar destaque nas redes sociais. A pesquisa sugere que a rotação dessa camada profunda do planeta pode ter parado, ou até entrado em sentido inverso.

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

Conduzida pelos pesquisadores Yi Yang e Xiaodong Song, a análise utilizou registros de ondas sísmicas de terremotos que atravessaram o núcleo interno desde a década de 1960.

Continua depois da publicidade

Leia Também

• Terra dos Artistas: Conheça a cidade em SP que foi berço de Fábio Assunção e Cássia Kis

• Cientistas descobrem planeta com formato inédito que desafia teorias da astronomia

• Telescópio mais potente do mundo está prestes a desvendar um dos maiores enigmas da astronomia

Leia também, Cientistas descobrem planeta com formato inédito que desafia teorias da astronomia

O que é o núcleo interno?

A Terra é formada por crosta, manto e núcleos interno e externo. O núcleo interno é uma esfera sólida a cerca de 5.100 km abaixo da superfície, com aproximadamente o tamanho de Marte.

Continua depois da publicidade

Composto basicamente por ferro e níquel, ele concentra um terço da massa do planeta e é envolvido pelo núcleo externo líquido, que permite que ele gire em velocidade diferente da rotação da Terra.

O que diz o estudo?

Os pesquisadores observaram que, entre 1980 e 1990, os registros sísmicos mostravam mudanças claras ao longo do tempo. Já entre 2010 e 2020, perceberam pouca ou nenhuma diferença.

"Mostramos observações surpreendentes que indicam que o núcleo interno quase cessou sua rotação na última década e pode estar passando por um retrocesso", escreveram.

Continua depois da publicidade

Segundo os cientistas, por volta de 2009/2010 a rotação pode ter desacelerado a ponto de parar, e agora estaria começando a girar lentamente no sentido contrário.

A rotação do núcleo interno é impulsionada pelo campo magnético gerado no núcleo externo e equilibrada pelos efeitos gravitacionais do manto. Quando há desequilíbrio, a rotação pode desacelerar, parar ou inverter. Segundo o estudo, isso faz parte de um ciclo natural de aproximadamente sete décadas.

Veja mais, Telescópio mais potente do mundo está prestes a desvendar um dos maiores enigmas da astronomia

Continua depois da publicidade

O que dizem outros cientistas?

A comunidade científica pede cautela. Hrvoje Tkalcic, geofísico da Universidade Nacional Australiana, afirma que a análise dos dados é sólida, mas as conclusões devem ser vistas com ressalvas.

"O núcleo interno não para completamente. A descoberta significa que ele está agora mais sincronizado com o resto do planeta do que há uma década", explicou. E tranquiliza: "Nada cataclísmico está acontecendo."

Tkalcic reforça que são necessários mais dados para compreender o fenômeno. Os próprios autores do estudo concordam que a pesquisa precisa avançar.

Continua depois da publicidade

Entender o comportamento do núcleo interno ajuda a desvendar processos nas profundezas da Terra, como a dinâmica do campo magnético e até pequenas variações na duração dos dias. Por enquanto, o estudo oferece pistas intrigantes, mas longe de qualquer cenário apocalíptico.

Conteúdos Recomendados

©2026 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software