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Batizado de Dasosaurus tocantinensis, animal é um dos maiores já encontrados no país e viveu há mais de 100 milhões de anos
Descoberta do Dasosaurus tocantinensis no Maranhão reforça teoria de que América do Sul, África e Europa já foram conectadas / Divulgação
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Pesquisadores brasileiros identificaram uma nova espécie de dinossauro gigante que viveu há cerca de 100 milhões de anos no Maranhão.
Batizado de Dasosaurus tocantinensis, o animal é um dos maiores já encontrados no país e tem ligações evolutivas com um dinossauro descrito na Espanha, o que reforça a teoria de que rotas terrestres conectavam América do Sul, África e Europa há aproximadamente 120 milhões de anos.
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A descoberta foi publicada este mês no Journal of Systematic Palaeontology, uma das principais revistas científicas da área. O estudo foi liderado por Elver Mayer, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), e contou com a participação de pesquisadores de onze instituições brasileiras.
Os fósseis foram encontrados em abril de 2021, durante obras de terraplenagem para a construção de um terminal ferroviário próximo ao município de Davinópolis, no Maranhão. Entre os restos mortais, os pesquisadores localizaram um fêmur de cerca de 1,5 metro de comprimento, o que permitiu estimar que o animal tinha aproximadamente 20 metros de extensão.
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"À medida que a escavação avançava ao longo dos dias, começamos a ver a evidência desse enorme osso, que é o fêmur", relatou Leonardo Kerber, paleontólogo da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e coautor do estudo.
"Isso indica que se tratava de um dinossauro muito grande. Hoje sabemos que o Dasosaurus está entre os maiores dinossauros já encontrados no Brasil", completou.
O animal era um saurópode, grupo dos conhecidos "pescoçudos", herbívoro, que viveu durante o Período Cretáceo, há cerca de 115 a 120 milhões de anos.
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A análise evolutiva surpreendeu os pesquisadores: o Dasosaurus tocantinensis é o parente mais próximo conhecido do Garumbatitan morellensis, um dinossauro descrito na Espanha.
Segundo a UFSM, a linhagem do animal era originalmente europeia e pode ter se dispersado para o que hoje é a América do Sul há cerca de 130 milhões de anos, provavelmente através do norte da África, antes da abertura total do Oceano Atlântico.
A descoberta reforça o conhecimento científico de que os continentes já estiveram conectados por rotas terrestres, permitindo a migração de espécies entre regiões hoje separadas por oceanos.
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O nome Dasosaurus tocantinensis carrega dupla homenagem. "‘Dasosaurus’ quer dizer dinossauro da floresta, em referência à Amazônia Legal, da qual o Maranhão faz parte", explicou Manuel Alfredo Medeiros, paleontólogo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) que integrou a equipe. "Já ‘Tocantinensis’ é uma referência à região tocantina, onde o fóssil foi encontrado", completou.
Atualmente, os fósseis estão em exposição no Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão, em São Luís. Para os cientistas envolvidos, o achado amplia significativamente a diversidade conhecida de dinossauros no Brasil e evidencia que o Nordeste foi uma região-chave na história evolutiva dos saurópodes.
Além disso, fornece novas evidências sobre as conexões terrestres que existiam entre América do Sul, África e Europa milhões de anos atrás.
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A descoberta do Dasosaurus tocantinensis não apenas engrandece o patrimônio paleontológico brasileiro, mas também ajuda a reconstituir a distribuição dos dinossauros pelo planeta quando os continentes ainda formavam grandes massas de terra conectadas.