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Cientistas descobrem evidência decisiva sobre colapso de povo há 1.200 anos

Dados climáticos revelam redução drástica de chuvas no período do colapso, agravada possivelmente pelo desmatamento e expansão agrícola

Nathalia Alves

Publicado em 25/02/2026 às 12:46

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Evidências químicas sugerem que uma seca intensa e duradoura comprometeu safras e acelerou o abandono urbano. / Divulgação/Travel Belize

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A civilização maia, com forte presença na península de Yucatán e em vastas áreas da América Central, experimentou um declínio abrupto há cerca de 1.200 anos. Em aproximadamente um século, cidades monumentais foram abandonadas e populações inteiras deixaram regiões antes densamente ocupadas, um dos maiores "mistérios" da arqueologia e da climatologia histórica.

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Ao longo das últimas décadas, pesquisadores formularam diferentes hipóteses para explicar o fenômeno, que vão de conflitos internos a crises ambientais severas. Agora, um estudo conduzido pelo professor Paul Mayewski, da Universidade do Maine, acrescenta novas evidências a esse debate ao analisar núcleos de gelo com mais de um milênio.

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O que o gelo revelou sobre o clima

Durante a análise de amostras para reconstituir as condições climáticas do período, um elemento chamou a atenção dos cientistas: a amônia. A concentração desse composto químico no gelo funciona como um indicador indireto da vegetação.

Níveis elevados de amônia sugerem clima quente e úmido, com abundância de plantas; concentrações reduzidas apontam para períodos de seca prolongada, marcados por escassez de cobertura vegetal e solos ressecados.

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Ao avaliar as camadas correspondentes ao período do colapso maia, Mayewski identificou uma queda expressiva nos níveis de amônia, um sinal claro de que a região foi atingida por uma seca intensa e duradoura.

Seca, fome e abandono das cidades

O dado indica que a escassez prolongada de chuvas pode ter provocado quebras sucessivas de safra, comprometendo a capacidade de sustentar grandes populações urbanas. A insegurança alimentar teria impulsionado migrações em massa e o abandono de centros cerimoniais e administrativos considerados, até hoje, obras-primas da engenharia e arquitetura pré-colombiana.

O estudo também sugere um fator agravante: o desmatamento. Pesquisas indicam que a derrubada de florestas para expansão agrícola reduz a capacidade do solo de absorver radiação solar e compromete o ciclo hidrológico. Com menor evaporação, há redução na formação de nuvens e, consequentemente, na precipitação.

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Instaurou-se, assim, um ciclo adverso: menos chuvas levaram a secas mais severas, ao fracasso de culturas essenciais e a uma crise alimentar crescente, processo que pode ter sido intensificado pela própria expansão das áreas cultivadas.

Múltiplas causas, um mesmo fim

A hipótese climática se soma a outras explicações para o enfraquecimento maia, como disputas políticas, instabilidade interna e pressão demográfica. Séculos mais tarde, a chegada dos espanhóis à América Central introduziu doenças que tiveram impacto devastador sobre as populações nativas, incluindo os maias.

Apesar das sucessivas adversidades, o povo maia não desapareceu. Atualmente, comunidades descendentes mantêm vivas tradições culturais em diferentes regiões do México, Guatemala, Belize e Honduras, evidenciando a resiliência de uma das mais sofisticadas civilizações da história pré-colombiana.

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O estudo de Mayewski, ao decifrar pistas químicas preservadas no gelo por mais de mil anos, contribui para elucidar parte desse passado complexo – ainda marcado por múltiplas causas, interpretações e, sobretudo, pela força de um povo que segue vivo.

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