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Cientistas descobrem como transformar praga invasora em produto de luxo para exportação

Pesquisadores argentinos provam que é possível controlar danos ambientais criando uma nova cadeia produtiva sustentável e lucrativa.

Nathalia Alves

Publicado em 12/01/2026 às 18:33

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Ao transformar uma ostra invasora em iguaria, cientistas reduzem importações e criam oportunidade para pescadores e indústrias locais. / Divulgação

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Pesquisadores do CONICET e da Universidade Nacional do Sul (UNS), em parceria com a empresa Cultivo Ostras SAS, estão perto de produzir o primeiro molho de ostra argentino.

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O projeto, que já está 90% concluído, busca substituir importações, gerar valor econômico e enfrentar um problema ambiental causado pela ostra-do-pacífico, espécie invasora presente no litoral da província de Buenos Aires.

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Espécie invasora e impacto ambiental

Introduzida ilegalmente nos anos 1980, a ostra-do-pacífico se espalhou pela região e passou a ameaçar a biodiversidade, além de causar impactos em praias e áreas turísticas. A ideia dos pesquisadores foi usar a espécie como matéria-prima para um produto alimentício já popular no mercado internacional.

O processo envolve biólogos e engenheiros que garantem que o descarte de uma ameaça ambiental se torne um alimento seguro e saboroso/Freepik
O processo envolve biólogos e engenheiros que garantem que o descarte de uma ameaça ambiental se torne um alimento seguro e saboroso/Freepik
A ostra-do-pacífico, que antes prejudicava o turismo e a pesca, agora é colhida para dar origem a um molho de alto valor agregado/Freepik
A ostra-do-pacífico, que antes prejudicava o turismo e a pesca, agora é colhida para dar origem a um molho de alto valor agregado/Freepik
A extração controlada da espécie invasora ajuda a restaurar a biodiversidade local enquanto alimenta uma nova linha de produção/Freepik
A extração controlada da espécie invasora ajuda a restaurar a biodiversidade local enquanto alimenta uma nova linha de produção/Freepik
A iniciativa fortalece comunidades costeiras, oferecendo uma nova fonte de renda através da coleta de animais que antes eram apenas um problema/Freepik
A iniciativa fortalece comunidades costeiras, oferecendo uma nova fonte de renda através da coleta de animais que antes eram apenas um problema/Freepik

A produção do molho ocorre em escala piloto em Bahía Blanca e utiliza apenas ostras de áreas certificadas pelo SENASA, garantindo segurança sanitária. A colheita em larga escala também pode ajudar a controlar a proliferação da espécie invasora.

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O projeto utiliza exclusivamente ostras provenientes de uma área certificada pelo Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (SENASA), que vai de Los Pocitos a San Blas, no distrito de Patagones. 

Esse cuidado garante a segurança do produto final e reforça a importância da rastreabilidade da matéria-prima. O desenvolvimento do molho envolveu uma abordagem multidisciplinar, com pesquisas em bioprocessos, engenharia e análises biológicas.

Além do aspecto ambiental, o projeto tem potencial para impulsionar uma nova indústria sustentável, fortalecer economias costeiras, gerar empregos, capacitar técnicos e diversificar a matriz produtiva da região.

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Desafios e próximos passos

Segundo a pesquisadora Sandra Botté, do CONICET, o projeto mostra que é possível “transformar um problema ambiental em uma oportunidade produtiva”. Além de reduzir impactos ecológicos, a iniciativa pode gerar empregos, fortalecer economias costeiras e abrir espaço para uma nova indústria sustentável no país.

O projeto está na fase final de testes técnicos e análises regulatórias. A expectativa é obter autorização para produção industrial piloto nos próximos meses, marcando um avanço inédito para a ciência e a indústria alimentícia argentinas.

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