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Cientistas descobrem 'cidade de polvos' que desafia décadas de teorias biológicas

Esqueça tudo o que você aprendeu sobre polvos solitários. Na costa australiana, uma comunidade organizada revela rituais sociais e sentinelas vigiando tocas

Nathalia Alves

Publicado em 24/03/2026 às 13:06

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Como 15 polvos criaram uma 'cidade' de conchas na Baía de Jervis e por que isso revoluciona a biologia marinha / Reprodução/Imagem feita por IA

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Descoberta nas águas da Austrália, a “cidade” de Octlantis revolucionou a compreensão científica sobre a inteligência marinha. O agrupamento social de polvos encontrado na Baía de Jervis desafia a antiga crença de que esses animais são estritamente solitários e antissociais, abrindo novas frentes de estudo sobre a evolução da cognição nos oceanos.

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Onde fica e como foi descoberta

Localizada na costa leste australiana, a cerca de 15 metros de profundidade, Octlantis foi identificada por biólogos marinhos que notaram uma concentração incomum da espécie Octopus tetricus vivendo em proximidade. Diferentemente de outros habitats, o terreno apresenta afloramentos rochosos e restos de conchas, materiais utilizados pelos polvos para construir tocas.

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A descoberta provou que, sob condições específicas, esses cefalópodes podem formar comunidades complexas e interagir socialmente entre si, um comportamento até então considerado inexistente para o grupo.

E não é só isso! Outra descoberta que está agitando a ciência é a de um planeta coberto por um oceano de lava, localizado a 35 anos-luz da Terra

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Arquitetura e organização social

Os habitantes de Octlantis utilizam restos de presas, como cascas de vieiras, para reforçar as paredes de suas tocas. Eles exibem comportamentos territoriais e de acasalamento que indicam uma organização social muito mais profunda do que o esperado para invertebrados.

As interações incluem sinais visuais e disputas por espaço, mostrando que a vida em grupo exige um alto nível de comunicação. A arquitetura da “cidade” é dinâmica e constantemente modificada conforme as necessidades de proteção contra predadores como tubarões.

Para explorar o comportamento surpreendente dos cefalópodes que desafiam a fama de solitários, o canal Insider Tech produziu um conteúdo que apresenta a descoberta de Octlantis. O vídeo mostra em detalhes o assentamento complexo onde polvos interagem socialmente, alterando o que a ciência acreditava sobre esses animais.

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Números da comunidade

Para se ter ideia da escala da descoberta para a biologia moderna, pesquisadores reuniram indicadores técnicos baseados em observações de campo. A densidade populacional no local é centenas de vezes maior do que a encontrada em habitats típicos de polvos.

  • População: cerca de 15 polvos em uma área de 18 por 4 metros

  • Material: acúmulo de conchas e lixo humano que funciona como “cimento” para as tocas

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  • Profundidade: zona de luz moderada, a 15 metros

  • Comportamento: presença de polvos “sentinelas” que vigiam a entrada da colônia

Legado para a ciência

A existência de Octlantis sugere que a inteligência dos polvos pode ter evoluído de forma semelhante à dos primatas, por meio da interação social. O local se tornou um laboratório natural único para estudar as origens da cultura e da cooperação animal em ambientes hostis.

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Instituições brasileiras, como o Museu Nacional, destacam a importância de preservar esses habitats raros. Entender como esses animais constroem suas “cidades” é fundamental para a conservação marinha e para a compreensão da mente desses geniais engenheiros das profundezas.

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