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Cientistas acendem alerta sobre aumento de chuvas na Antártida

Derretimento acelerado por chuvas frequentes compromete habitat e reprodução de espécies antárticas

Nathalia Alves

Publicado em 09/03/2026 às 18:15

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Fenômeno raro se torna frequente e acelera derretimento de geleiras, aponta estudo / Reprodução/Pixebay

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Antártida é uma das regiões do planeta onde os efeitos das mudanças climáticas se manifestam de forma mais evidente. Um exemplo preocupante é o aumento da ocorrência de chuvas no continente gelado, um fenômeno historicamente raro, mas que vem se tornando mais comum.

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A constatação é de um artigo publicado no portal The Conversation e assinado por Bethan Davies, professora de glaciologia da Universidade de Newcastle, na Inglaterra.

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De acordo com a pesquisadora, a Península Antártida, a porção mais ao norte do continente e também a mais quente, já registra chuvas com maior frequência. A região está se aquecendo em um ritmo muito mais acelerado do que o restante da Antártida e do que a média global, impulsionada pelas emissões de gases de efeito estufa e pelo aquecimento global.

Davies explica que, à medida que a península se aquece, aumenta também a precipitação na área. E o mais preocupante: essa precipitação vem ocorrendo cada vez mais na forma de chuva, e não de neve.

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Os impactos da chuva no ecossistema antártico

“Neve não gosta de chuva”, resume o artigo de forma didática. A chuva traz calor, derrete a neve e a lava, reduzindo o abastecimento dos glaciares.

A água derretida pode infiltrar-se até a base do gelo, lubrificando o leito rochoso e fazendo com que os glaciares deslizem mais rapidamente em direção ao mar. Esse processo também acelera o desprendimento de icebergs e desestabiliza as plataformas de gelo.

“A formação de poças de água derretida esteve envolvida no colapso das plataformas de gelo Larsen A e B no início dos anos 2000”, lembra o artigo. O desaparecimento dessas estruturas tem efeito cascata: o gelo marinho perdido deixa de funcionar como amortecedor natural das ondas do oceano, compromete o habitat de algas e krill e reduz as áreas de reprodução de pinguins e focas.

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O avanço da chuva sobre a Antártida é mais um sinal de que o aquecimento global já está redesenhando os ciclos naturais em uma das regiões mais extremas e sensíveis do planeta.
 

 

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