Cássia Kis é investigada pelo MP por transfobia em banheiro de shopping

Atriz será intimada a se manifestar após vídeo de mulher trans relatar constrangimento em banheiro do Barra Shopping

A atriz Cássia Kis fez parte da Fundação das Artes de São Caetano do Sul, uma das mais antigas do estado paulista, conhecida por treinar vários atores e nomes globais (TV Globo/Reprodução)

A atriz Cássia Kis é investigada por suposto caso de transfobia no Rio de Janeiro/Reprodução/Globo

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) vai investigar uma denúncia de transfobia contra a atriz Cássia Kis, de 68 anos. O caso aconteceu na sexta-feira (24), no Barra Shopping, na zona oeste do Rio, e envolve uma funcionária do local Roberta Santana, uma mulher trans.

Como foi o episódio no shopping

Segundo o relato de Roberta, ela aguardava na fila do banheiro feminino quando foi abordada pela atriz, que teria questionado sua presença no local. A mulher afirma que se sentiu constrangida com os comentários e decidiu registrar a situação em vídeo.

Nas redes sociais, ao publicar a gravação, Roberta relatou ter sido alvo de falas ofensivas. Segundo ela, ao entrar no banheiro, percebeu que Cássia Kis estava logo atrás na fila e passou a fazer comentários que colocavam em dúvida sua permanência no espaço. Mesmo após entrar em uma cabine, a atriz teria continuado com as falas ao vê-la sair.

Ainda conforme o relato, a atriz teria afirmado que o país estaria “perdido” ao permitir a presença de uma mulher trans no banheiro feminino e questionado a ausência de uma sinalização que autorizasse sua entrada. Roberta classificou a situação como humilhante e afirmou nunca ter passado por constrangimento semelhante.

Após a repercussão do vídeo, o ativista Agripino Magalhães Júnior apresentou um pedido formal de investigação. O Ministério Público confirmou o recebimento da denúncia e informou que dará início às diligências, com previsão de intimar a atriz para prestar esclarecimentos.

Nova denúncia e possível enquadramento

Além da apuração no Rio de Janeiro, Agripino afirmou que pretende apresentar uma nova denúncia ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Segundo ele, a conduta relatada pode ser enquadrada como crime de racismo por motivação LGBTQIA+fóbica, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, que equipara esse tipo de discriminação à Lei nº 7.716/1989.

O ativista defende que a responsabilização é necessária para evitar a normalização de discursos discriminatórios e reforçar a proteção de direitos da população LGBTQIA+.

Cássia Kis já responde a outro processo

A atriz Cássia Kis também é ré em uma ação civil por homofobia na Justiça Federal desde outubro de 2024. O processo foi movido pela Antra e pelo ator José de Abreu, com base em declarações feitas pela artista em 2022, durante entrevista à jornalista Leda Nagle.

Na ocasião, a atriz afirmou que casais homoafetivos “não dão filho” e associou determinadas pautas à “destruição da família” e da vida humana. A ação pode resultar em multa milionária e segue em tramitação na 2ª Vara Federal do Rio de Janeiro.

Até o momento, Cássia Kis não se manifestou publicamente sobre o episódio. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações ou esclarecimentos sobre o caso.