A chegada de Ronaldinho Gaúcho ao time do Flamengo representou um dos maiores impactos no mercado esportivo brasileiro em 2011. Contudo, o impacto da contratação atravessou os gramados e atingiu o setor imobiliário de altíssimo padrão no Rio de Janeiro.
Em busca de um CEP que estivesse à altura, o craque se encantou por uma propriedade monumental localizada no condomínio Santa Mônica Jardins, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Disposto a fechar o negócio rapidamente, o jogador teria apresentado uma oferta de R$ 20 milhões pelo imóvel, porém, em um movimento raro para transações desse porte, o proprietário declinou da proposta milionária.
O motivo por trás da recusa era o valor comercial da visibilidade televisiva. Naquele mesmo ano, a mansão havia sido selecionada pela TV Globo para ser um dos pilares visuais da novela “Fina Estampa”, fenômeno de audiência escrito por Aguinaldo Silva. A fachada imponente e as áreas externas da residência serviam de cenário para o cotidiano de Tereza Cristina, a antagonista interpretada por Christiane Torloni.
Para o dono do imóvel, manter a casa como locação para a emissora e preservá-la como símbolo das novelas foi mais importante do que os milhões oferecidos pelo ex-jogador do Barcelona.
Vale lembrar que Ronaldinho é dono de diversos imóveis pelo Brasil. Um deles, é um sítio conhecido como ‘refúgio de paz’ do craque.
O quem tem neste “refúgio faraônico”
Apesar de não ter conseguido adquirir a “casa da vilã”, Ronaldinho Gaúcho não abandonou o desejo de residir no condomínio carioca, que é conhecido por sua infraestrutura de segurança e privacidade rigorosas. O atleta acabou adquirindo outra propriedade no mesmo complexo, ainda mais vasta e personalizada de acordo com suas necessidades de lazer e convívio social.
A residência definitiva do craque no Rio de Janeiro ocupava uma área total de 3.500 metros quadrados, distribuída por cinco lotes unificados, configurando uma das maiores metragens da região.
A estrutura da mansão era compatível com os excessos e o conforto que a carreira internacional de Ronaldinho permitia. O projeto contava com cinco suítes amplas, duas quadras de tênis e, como não poderia faltar, um campo de futebol gramado. Entre os detalhes mais luxuosos estavam uma academia subterrânea com janelas que permitiam a visualização interna da piscina, sala de massagem, jacuzzi e uma capela privativa.
Em 2014, quando o jogador já defendia o Atlético-MG, o imóvel foi colocado à venda por R$ 15 milhões, atraindo o interesse até de empresários europeus que cogitaram o aluguel da propriedade por R$ 34 mil diários durante a Copa do Mundo.
Sucesso em horário nobre
A decisão do proprietário original de priorizar a teledramaturgia se mostrou acertada do ponto de vista histórico-cultural. Acontece que “Fina Estampa” foi um marco para a TV Globo, sendo a segunda produção a ocupar o título de “novela das nove” após a mudança de nomenclatura da emissora.
Substituindo “Insensato Coração” e entregando o horário para o sucesso estrondoso de “Avenida Brasil”, a trama de Griselda e Tereza Cristina mobilizou o país entre agosto de 2011 e março de 2012.
Sob a direção de núcleo de Wolf Maya, a produção utilizou a arquitetura da Barra da Tijuca para ilustrar o contraste social e a ascensão financeira, temas centrais da narrativa.
A mansão recusada a Ronaldinho tornou-se, assim, indissociável da imagem da “Rainha do Nilo”, como a vilã era chamada, consolidando-se como um dos endereços mais famosos da ficção brasileira contemporânea.
Saiu sem pagar…
Além do CEP característico da emissora, o desfecho do folhetim também tornou-se um marco histórico devido a impunidade de Tereza Cristina (Christiane Torloni), que fugiu de seus diversos crimes sem pagar um centavo à Justiça.
Após sequestrar sua rival Griselda (Lilia Cabral) e incendiar um cativeiro, a megera foge da polícia a bordo do barco “Flor do Tejo” acompanhada de Pereirinha (José Mayer). Durante uma tempestade, a embarcação desaparece e a vilã é oficialmente dada como morta.
Entretanto, a cena final da novela mostra que Tereza Cristina estava vivíssima, reaparecendo dentro de um carro para dar uma gargalhada maléfica diante de uma Griselda atônita.
O desfecho torna-se curioso, visto que ela entregou toda a fortuna nas mãos do mordomo Crodoaldo Valério, inclusive a mansão que foi negada a Ronaldinho Gaúcho.
O queridinho da TV Globo
Crô, personagem marcante de Marcelo Serrado, conquistou tanto o público pelo carisma e ingenuidade que a sua trajetória se estendeu para o cinema em dois momentos: “Crô: O Filme (2013)“, onde vivia como um herdeiro em busca de uma nova musa a quem se dedicar, e “Crô em Família (2018)“, focado nas trapalhadas inofensivas do mordomo chique.
Mas não parou por aí. O divertido mordomo também surgiu em mais uma obra de Aguinaldo Silva, a novela “Três Graças” (2026), no qual impactou diretamente a rotina de personagens como Ferette (Murilo Benício) e Arminda (Grazi Massafera).
Em sua primeira aparição, Crô foi visto como um voluntário em um hospital para onde Ferette havia sido encaminhado após sofrer um ataque cardíaco. A partir daí, o mordomo relevou que estava frustrado com a rotina de ostentação que vivia devido à herança de Tereza Cristina.
Apesar disso, o personagem despertou interesse em comprar a escultura milionária do artista Guilherme Aranha, “As Três Graças”, passando a ter um envolvimento relâmpago com o núcleo de Kasper (Miguel Falabella) e de João Rubens (Samuel de Assis).










