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Buchecha e herdeira de Claudinho apoiam denúncia de Tati Quebra Barraco: 'vítima'

O cantor revelou que também enfrentou problemas para receber direitos autorais e criticou a falta de transparência e restrições a artistas

Giovanna Camiotto

Publicado em 19/03/2026 às 17:30

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A dupla Claudinho e Buchecha no início dos anos 2000 / Reprodução/Instagram

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O cantor Buchecha e a herdeira de Claudinho, Vanessa Ferreira, se manifestaram após uma denúncia feita por Tati Quebra Barraco sobre irregularidades no pagamento de direitos autorais no funk por parte das editoras. Em vídeo publicado nas redes sociais, o artista afirmou que o problema é antigo e disse já ter enfrentado situações semelhantes ao longo da carreira.

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“A bomba está estourando. Essa bomba ia estourar em algum momento. A primeira vítima foi a Tati, fazendo uma denúncia dos direitos dela sendo violados. [...] Eu também já fui vítima dessas editoras do funk”, afirmou Buchecha.

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Segundo o cantor, ele só conseguiu receber valores devidos após acionar a Justiça: “Eu, alguns anos atrás, só pude adquirir minha grana depois que processei uma dessas editoras citadas pela Tati. Isso é muito injusto. A gente tem histórias de MCs que morreram na pobreza, mas tinham um suporte, um dinheiro que poderia beneficiar suas famílias, e esse dinheiro não chega.”

Buchecha explicou que, em regra, artistas têm direito a 70% da arrecadação das músicas, enquanto as editoras ficam com 30%. Ainda assim, afirma que há falhas no repasse e na prestação de contas.

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“Só no funk, as editoras não enviam relatórios para os artistas. Os artistas não têm direito de regravar suas músicas. Eu já fui vítima disso. Isso está errado. Os artistas não podem ter seus direitos violados dessa maneira.”

O álbum 'Boladona', de Tati Quebra Barraco, foi eleito como o 19º melhor disco de música eletrônicaNos últimos dias, Tati Quebra Barraco denunciou uma série de artistas pela falta de repasse por suas composições/Divulgação

Apoio no funk

Em outro trecho, o cantor elogiou a iniciativa de Tati e disse que a denúncia pode estimular outros artistas a se manifestarem. “A sujeira estava embaixo, e você mexeu. Sei que tem muita gente sendo lesada, tendo seu direito usurpado, e não recebe o que tem direito. É um direito, não é um favor.”

Ele também criticou o modelo de remuneração. “Todo artista dá 30% para as editoras/gravadoras. Então, nunca foi de graça. E vocês acham que uma hora essa bomba não ia estourar? Está estourando. [...] Se mexer mais, vai aparecer mais coisas.”

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Buchecha fez ainda um apelo direto às empresas do setor e relembrou sua trajetória com Claudinho. “Quando vocês das editoras, gravadoras e produtoras do funk vão aprender e reunir essa galera para pagar a quem devem? Isso está errado. Eu e Claudinho fomos uns dos poucos a quebrar esse tabu, essa barreira, esse monopólio, que existe há muito tempo no funk.”

Tati, estamos juntos, e obrigado por você ter levantado essa bandeira”, concluiu o funkeiro.

Reforço de herdeiros

A denúncia também ganhou reforço com a manifestação de Vanessa Ferreira, filha e herdeira do espólio de Claudinho (1975-2002). Na redes sociais, ela afirmou que os direitos autorais das obras da dupla com Buchecha não estariam sendo pagos corretamente.

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“Como parte herdeira do Claudinho, reitero a denúncia da Tati Quebra Barraco, MC Marcinho e Mr. Catra: as editoras que são detentoras das principais obras da dupla ('Rap do Salgueiro', 'Nosso Sonho', 'Carrossel de Emoções' e 'Barco da Paz') não fazem o repasse corretamente para o espólio”, escreveu.

Vanessa também afirmou que a discussão não tem relação com o filme Nosso Sonho, que retrata a trajetória da dupla. “O filme está fora de questão. O que está em questão agora é a falta de transparência, de esclarecimentos e de prestação de contas sobre as músicas e os direitos autorais.”

Citado nas denúncias, DJ Marlboro negou irregularidades. “Não pagar os autores é um tiro no próprio pé. O prejuízo é muito maior do que qualquer apropriação de direitos. É burrice não pagar os direitos dos autores”, afirmou a herdeira.

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