Bióloga faz registro inédito de ‘gaivota gringa’ no Brasil; conheça a espécie rara no país

A gaivota golfinho ganhou o seu primeiro registro documentado em águas brasileiras e surpreendeu os especialistas em uma importante e rara descoberta científica

gaivota-golfinho

Esse registro demonstra a importância do monitoramento contínuo da observação da biodiversidade / Luana Wundervald

A gaivota-golfinho (Leucophaeus scoresbii) ganhou o primeiro registro documentado para o Brasil, feito em maio deste ano. A espécie é natural do extremo sul do continente americano, principalmente no Chile, Argentina e Ilhas Malvinas.

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Quem realizou o achado foi a bióloga marinha Luana Wundervald, formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e colaboradora do Setor de Coleções do Museu de Ciências Naturais da UFRGS. 

Na ocasião, ela participava de uma saída de campo do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas (PMP-BP), quando foi observada uma gaivota de coloração mais escura alimentando-se de um peixe na praia de Cidreira e, então, resolveu tirar algumas fotos.

Inicialmente, os biólogos que participavam da atividade acreditaram que pudesse se tratar da gaivota-de-rabo-preto (Larus atlanticus), o que, segundo eles, já seria um registro bastante interessante. 

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Mas, no dia seguinte, conseguiram confirmar que era mesmo a gaivota-golfinho (Leucophaeus scoresbii), após consultar também a pesquisadora Alice Pereira, do Projeto Albatroz, que já havia trabalhado com a espécie na Argentina.

Luana Wundervald disse que esse registro demonstra a importância do monitoramento contínuo da observação da biodiversidade e que descobertas relevantes podem acontecer durante atividades de rotina. 

Ela lembrou também que a descoberta foi um trabalho coletivo que envolveu diferentes pessoas que contribuíram para a documentação e confirmação da espécie.

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“Por se tratar do primeiro registro documentado da espécie no Brasil, é um acontecimento muito significativo para a comunidade de observadores de aves e para a ornitologia brasileira. Além de ampliar o conhecimento sobre a distribuição da espécie, o registro mostra como ainda existem eventos inesperados e descobertas importantes a serem feitas, mesmo em regiões que já são monitoradas há bastante tempo”, finalizou ela.

O biólogo Márcio Motta, do Projeto 30 réis, acredita que o registro é pontual e que o padrão da ocorrência da espécie não mudou, pois, segundo ele, a aparição da gaivota em território brasileiro pode ser um caso isolado. 

Apesar dessa opinião, ele fala da importância de continuar o monitoramento e a observação das praias brasileiras.

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“Como só teve uma até agora, não vejo que seria algo além de uma vagante que apareceu por conta de uma frente fria, alguma mudança de tempo ou alguma coisa deste tipo que empurrou o bicho pra lá. É um registro importante para a gente monitorar e ver se vão ter outros registros da espécie ali na região. Então, eu vejo como um evento assim e não como uma tendência ou um padrão”, disse ele.

Agora, com o novo registro, o Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos muito provavelmente analisará se a gaivota será incluída na lista das espécies brasileiras.