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Terceira edição itinerante na cidade portuária busca aproximar o público de produções consagradas e novos talentos da arte contemporânea
Gerente de artes visuais explica como o recorte da 36ª edição foi pensado para dialogar diretamente com o contexto local. / Divulgação
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A cidade de Santos recebe, a partir do dia 9 de abril, uma edição itinerante da 36ª Bienal de São Paulo. A Fundação Bienal de São Paulo e o Sesc anunciam a mostra "Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática" no Sesc Santos, onde permanecerá em cartaz até 21 de junho de 2026.
Esta é a terceira vez que a cidade portuária recebe o programa de itinerâncias da Bienal, em uma trajetória que começou em 2011 com a 29ª edição e se renovou em 2014 com a 32ª Bienal.
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Quem explica os detalhes dessa iniciativa é Juliana Braga, gerente de artes visuais e tecnologia do Sesc São Paulo. Em entrevista ao Diário Litoral, ela destacou como a parceria entre o Sesc e a Fundação Bienal se consolidou ao longo das décadas.
"A parceria com a Bienal é bastante antiga, posso dizer que desde os anos 1980. O Sesc tem colaborações pontuais com a Fundação Bienal tanto na realização da Bienal no Pavilhão quanto em ações educativas de formação de professores."
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Segundo ela, foi a partir de 2011 que começaram as itinerâncias, versões menores da grande mostram, levadas para unidades do Sesc no interior e litoral do estado, incluindo Santos como destino frequente.
Nesta terceira edição na cidade, houve participação da curadoria original, representada por Tiago de Souza. Ele fez um recorte da 36ª Bienal considerando o espaço do Sesc Santos e artistas que dialogam com o contexto local.
Outro ponto abordado na entrevista foi a relação entre arte e tecnologia, área que integra o trabalho de Juliana na instituição.
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"A questão da tecnologia perpassa muitos aspectos da vida das pessoas. A tecnologia é um meio muito importante, estamos aqui nós já conversando usando meios tecnológicos para fazer um diálogo e chegar a diferentes públicos, mas também existe o lado sempre perigoso da tecnologia."
Ela explicou que o Sesc possui um programa chamado Tecnologias e Artes, presente em quase todas as unidades do Estado. O espaço funciona como um laboratório voltado para o público em geral.
"O objetivo é descobrir como se aproximar, como se aprofundar no uso de tecnologias variadas para tornar essa presença mais criativa, mais construtiva e até mais crítica."
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Juliana citou ainda a preocupação com as inteligências artificiais. "Hoje temos uma diretriz de entender como podemos auxiliar nossos públicos a compreender o papel das IAs na sua vida, mas tomando cuidado para que elas não virem uma armadilha de desinformação."
A gerente também falou sobre os desafios de tornar a cultura acessível. "A questão do acesso é uma questão bastante delicada. Quando a gente pensa o Sesc como uma instituição aberta, que busca ter um trabalho democrático, a gente está falando de algo que muitas vezes tem barreiras invisíveis para que as pessoas cheguem."
Ela destacou que o Sesc busca oferecer espaço tanto para profissionais jovens quanto para produções consagradas. "Se não fosse dentro desse contexto, talvez nossas populações prioritárias não teriam condições de consumir e acessar."
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Sobre a presença do Sesc em regiões menos favorecidas, Juliana explicou que a instituição está em constante expansão. "O Sesc São Paulo está presente em todas as macro regiões do Estado, mas a construção de uma unidade típica leva muitos anos e é muito custosa. Por isso, uma das formas que o Sesc tem intensificado é a criação de projetos que fazem visitas a cidades onde as unidades não estão presentes."
Como alternativa, a instituição investe em projetos itinerantes que levam atividades culturais a cidades sem unidades fixas. Um exemplo é o Circuito Sesc de Artes, que recentemente passou pela Baixada Santista, com atividades gratuitas em espaços públicos.
Ao ser perguntada sobre o que o Sesc representa para a população paulista, Juliana foi enfática. O Sesc deve ser visto como um espaço de convivência, liberdade e criatividade. Um lugar que reúne cultura, esporte, saúde, lazer e alimentação, promovendo cidadania e o encontro entre pessoas de diferentes origens.
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A exposição itinerante da 36ª Bienal de São Paulo – "Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática" – segue em cartaz no Sesc Santos de 9 de abril a 21 de junho de 2026. A programação completa e os horários de funcionamento estão disponíveis no site oficial da unidade.