João Pedro dedicou décadas a atividades voluntárias / Freepik
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Aos 80 anos, João Pedro Brandão encontrou uma forma singular de celebrar a própria história e, ao mesmo tempo, cuidar do futuro de um lugar que carrega no coração. Apaixonado pelo Piódão, aldeia histórica encravada na Serra do Açor, ele decidiu transformar o aniversário em um gesto coletivo de preservação do patrimônio que marcou sua vida.
Conhecido na região por conhecer cada detalhe da aldeia, João Pedro dedicou décadas a atividades voluntárias, ajudando a organizar romarias, recepcionando visitantes e preservando memórias locais.
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Mesmo sem morar mais em tempo integral no Piódão, mantém o hábito de passar por lá quase diariamente, seja para rever amigos, acompanhar pequenas obras ou simplesmente observar o movimento da vila.
No centro do Piódão, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição se destaca entre as casas de xisto, com sua fachada branca e azul contrastando com o entorno. O templo é um dos principais símbolos da aldeia, recebendo milhares de visitantes todos os anos, entre fiéis, turistas e pesquisadores.
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Com o passar do tempo, no entanto, o edifício começou a apresentar sinais de desgaste. Infiltrações, fissuras e reparos antigos mal resolvidos deixaram marcas que exigem uma intervenção mais ampla e definitiva para garantir a preservação da igreja.
Após ações iniciais para conter danos mais imediatos, a próxima etapa prevê uma restauração estrutural completa.
Estão previstos trabalhos na cobertura, drenagem do entorno, reforço das paredes e revisão total das instalações elétricas. O custo estimado chega a 2,2 milhões de euros, antes de impostos, valor considerado elevado para uma comunidade pequena.
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O projeto envolve diferentes frentes, incluindo órgãos públicos ligados ao patrimônio, o município de Arganil, a junta local e parceiros do setor turístico. A legislação de incentivo ao mecenato pode ajudar a atrair doações, mas o esforço coletivo segue sendo fundamental.
Foi nesse contexto que João Pedro decidiu fazer um pedido inusitado aos convidados de sua festa de 80 anos. Em vez de presentes tradicionais, sugeriu que todos contribuíssem financeiramente para a campanha de restauro da igreja. A ideia surgiu de forma simples, ao ser questionado pelo filho sobre o que gostaria de ganhar.
Para ele, o momento simbolizava uma mudança de perspectiva. Mais do que receber algo para si, queria deixar uma contribuição concreta para as próximas gerações.
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Durante o jantar comemorativo, realizado em 22 de agosto, a proposta se materializou em doações que somaram inicialmente 5.500 euros, valor que depois chegou a 7.500 euros, recebidos com emoção e aplausos.
Além da mobilização entre amigos e familiares, João Pedro também encontrou outras formas de colaborar.
No quintal de casa, cultiva suculentas e vende mudas em feiras locais, destinando o valor arrecadado para a restauração. A iniciativa inspirou moradores, comerciantes e artesãos da aldeia, que passaram a organizar ações solidárias, como menus especiais e produtos temáticos.
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Em uma comunidade pequena, cada contribuição ganha peso simbólico. Restaurantes, hospedagens e moradores se unem em torno da ideia de que preservar a igreja é preservar a identidade do Piódão.
O projeto de recuperação da igreja inclui:
Para João Pedro, a igreja representa mais do que um espaço religioso. É um ponto de encontro entre fé, história e identidade coletiva, a primeira parada de quem chega e a última imagem de quem parte da aldeia. Cuidar do edifício, para ele, é uma forma de cuidar do próprio Piódão.
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Agora, o desafio é avançar com parcerias, garantir recursos e manter a comunidade envolvida em cada etapa do processo.
Com o entusiasmo de quem ainda guia visitantes nos fins de semana, João Pedro segue confiante de que, com a contribuição de todos, o projeto será concluído.
Se depender do aniversariante que trocou presentes por futuro, a próxima comemoração terá como cenário uma igreja restaurada — e o orgulho de ter ajudado a preservar um patrimônio que atravessa gerações.
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