Automotor

Volkswagen planeja corte histórico de R$ 372 bilhões e ameaça fechar fábricas

Nova estratégia de economia deve atingir Audi e Porsche, com previsão de cortes bilionários em todas as subsidiárias

Nathalia Alves

Publicado em 16/02/2026 às 20:30

Atualizado em 16/02/2026 às 21:55

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Pressionada por marcas chinesas e baixas vendas, montadora avalia demissões e encerramento de unidades na Alemanha / Reprodução/ ASSOCIATED PRESS

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A Volkswagen prepara um novo pacote de cortes de custos no valor de 60 bilhões de euros (cerca de R$ 372 bilhões), segundo informações da revista alemã Manager Magazin publicadas nesta segunda-feira (16/02).

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O plano se estende até 2028 e representa uma redução de 20% nos gastos atuais do grupo, afetando todas as subsidiárias, incluindo Audi, Skoda e Porsche.

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De acordo com a reportagem, que cita fontes internas, o fechamento de fábricas não está descartado, assim como novos cortes de vagas. O CEO Oliver Blume teria apresentado a estratégia a 120 altos executivos da companhia em meados de janeiro.

Pressão externa e concorrência chinesa

Conforme divulgado pela DW Brasil, o novo aperto nos custos reflete um cenário global desfavorável para a indústria automotiva alemã.

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A Volkswagen enfrenta queda significativa nas vendas na China, seu principal mercado, além da crescente concorrência das montadoras chinesas de veículos elétricos. As tarifas impostas pelos Estados Unidos também agravam a situação.

A saúde financeira da empresa preocupa o mercado. A agência de classificação de risco S&P rebaixou recentemente a perspectiva de crédito da Volkswagen de "estável" para "negativa", citando o risco de descumprimento das metas financeiras.

O fantasma do fechamento de fábricas

A possibilidade de encerrar plantas na Alemanha é um tema particularmente sensível. Em 2024, a empresa causou comoção nacional ao admitir, pela primeira vez na história, que poderia fechar fábricas em seu próprio país. A declaração levou a greves generalizadas e negociações acirradas com o conselho de trabalhadores.

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Um acordo firmado no ano passado afastou essa hipótese imediata, mas a um alto custo social, pois ficou definido um plano para eliminação de 35 mil postos de trabalho na Alemanha até 2030, o que representa quase 27% de toda a força de trabalho local.

A medida, no entanto, seria implementada por meio de programas de demissão voluntária e aposentadoria precoce, evitando cortes compulsórios.

Não está claro se a economia de € 60 bilhões anunciada agora incorpora os acordos anteriores ou representa uma nova rodada de ajustes, o que poderia recolocar as unidades alemãs na mira dos cortes.

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Reações da empresa e do sindicato

A Volkswagen reagiu com cautela. Um porta-voz afirmou que os programas de eficiência já em andamento geraram economias na "casa dos dois dígitos de bilhões de euros" em todas as subsidiárias.

"Isso permitiu ao grupo amortecer os ventos geopolíticos contrários, como as tarifas nos EUA, e manter o rumo", disse.

O CEO Oliver Blume deve trazer mais esclarecimentos durante a coletiva anual de imprensa no dia 10 de março, quando apresentará um relatório intermediário sobre a situação da empresa.

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O conselho de trabalhadores, por sua vez, minimizou a reportagem, afirmando que ela parece ser "mais uma descrição do status dos programas de eficiência que já vêm sendo executados há muito tempo".

A presidente do conselho, Daniela Cavallo, reconheceu que o grupo "ainda enfrenta uma situação difícil", mas foi categórica. "O fechamento de fábricas e as demissões compulsórias estão expressamente descartados no acordo firmado com a administração". 


 

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