Automotor

Versão Highline 170 TSI expressa as melhores tradições do Polo

Versão Highline 170 TSI investe no requinte original do Volkswagen Polo, que está ganhando visibilidade com a despojada configuração Track, substituta do Gol

Luiz Humberto Monteiro Pereira - AutoMotrix

Publicado em 12/03/2023 às 08:00

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O motor 170 TSI da versão Highline entrega 116 cavalos e 16,8 kgfm / Luiza Kreitlon/AutoMotrix

A linha 2023 do Volkswagen Polo estreou em setembro com quatro versões, que buscam formar a tradicional “escada evolutiva” em termos de preços e equipamentos. As manuais, com câmbio de 5 marchas, são a MPI, que parte de R$ 86.140 e tem motor 1.0 de três cilindros aspirado flex de 84 cavalos e 10,3 kgfm de torque, e a 170 TSI, 1.0 tricilíndrica turbinada flex de 116 cavalos e 16,8 kgfm de torque (a mesma motorização adotada antes no subcompacto Up, com ajustes), a R$ 96.140. No topo da linha ficaram as automáticas Comfortline (R$ 103.990) e Highline (R$ 111.990) – ambas também adotam o motor 170 TSI, mas acoplado a um câmbio automático de 6 marchas. Ou seja, o Polo 170 TSI  2023 perdeu potência e torque em relação à linha 2022 – antes, com o motor 200 TSI, eram 128 cavalos e 20,4 kgfm. Simplificado para ganhar competitividade, o Polo viu suas vendas começarem a crescer mais expressivamente no último mês do ano passado com o lançamento da versão Track, a mais despojada da linha, equipada com o mesmo conjunto 1.0 flex aspirado e câmbio manual da MPI, oferecida por R$ 80.580. A função mercadológica do Polo Track é herdar os compradores do Gol, que saiu de linha por não ser compatível com o Proconve 8, equivalente nacional à norma europeia de emissões Euro 6. Já em janeiro deste ano, a Highline 170 TSI perdeu o posto de “top” para a esportiva GTS, com um motor 250 TSI (turbo), um 1.4 de quatro cilindros com 150 cavalos de potência e 25,5 kgfm de torque, oferecida por R$ 145.790 – até pelo preço, uma versão de nicho. Apesar de um tanto “eclipsada” pela proliferação de novidades da linha, a Highline é a versão que expressa as melhores tradições do Polo.

Criado na Alemanha em 1974 e lançado no Brasil em 2002, o Polo foi apresentado como um compacto requintado derivado do hatch médio Golf – que contava com prestígio e vendas expressivas há 20 anos, mas teve queda progressiva de demanda até deixar de ser comercializado no país em 2020, para dar lugar ao utilitário esportivo compacto T-Cross. Em 2017, o Polo teve sua sexta geração lançada no Brasil e tornou-se o primeiro no país a utilizar a plataforma MQB, que deu origem à nova geração do Jetta, ao T-Cross e ao Nivus. A linha 2023 do hatch compacto produzido em São Bernardo do Campo (SP) segue o chamado “Family Look”, que identifica os modelos da marca alemã. Ganhou linhas mais horizontalizadas, superfícies mais arredondadas e novos acabamentos internos. Na dianteira, recebeu para-choque novo e um conjunto óptico inspirado no Golf europeu, composto por farol alto, baixo, sinalização diurna e luz de posição e direcional totalmente em leds, em todas as versões. Por outro lado, os faróis auxiliares foram suprimidos. Elementos cromados fazem a conexão entre a iluminação. Na traseira, as lanternas têm nova assinatura noturna e o logotipo da fabricante e o nome do carro estão centralizados. A linha 2023 oferece as cores sólidas Preto Ninja (sem acréscimo de preço) e Branco Cristal (aumenta R$ 900) e as metálicas Vermelho Sunset, Prata Sirius e Cinza Platinum (a do modelo testado), que acrescentam R$ 1.650. O opcional Kit Black – disponível na versão avaliada – custa R$ 1.650 e agrega rodas de liga leve, spoiler traseiro, cobertura do espelho externo em preto brilhante, cobertura dos parafusos de roda, soleiras e tapetes de borracha para o assoalho e para o porta-malas.       

Em termos de conforto e segurança, o Polo 2023 tem quatro airbags – dois dianteiros e dois laterais –, controle eletrônico de estabilidade (ESC), distribuidor eletrônico de frenagem (EBD), controle de tração, Hill Hold Control, sistema de frenagem automática pós-colisão e Isofix para fixação de cadeirinhas de criança. A Highline sai de fábrica com frenagem automática pós-colisão, vidros dianteiros e traseiros e retrovisores elétricos, multimídia VW Play de 10,1 polegadas com comandos no volante, painel de instrumentos digital configurável de 10 polegadas, partida por botão, controlador de velocidade, volante de couro com hastes para trocas de marcha, rodas de 16 polegadas, bancos de couro sintético, ar-condicionado digital sensível ao toque e carregador de smartphones sem fio. Para auxílio ao estacionamento, há câmera de ré e sensores na frente e atrás.

Até o ano passado, o Polo ocupava uma posição totalmente periférica no ranking de automóveis mais vendidos do Brasil – terminou 2022 em quinquagésimo segundo lugar, com 8.182 unidades, média de 682 emplacamentos mensais. O lançamento da linha 2023 do compacto, em setembro do ano passado, elevou consideravelmente a média mensal do último trimestre – em dezembro, já foram 2.887 emplacamentos. Este ano, embalado pela versão Track, o Polo já aparece no primeiro bimestre em uma posição mais edificante – décimo sétimo lugar, com 5.877 unidades, média de 2.938 mensais. A expectativa da Volkswagen é que a linha Polo ocupe o “vácuo” deixado pelo fim do Gol e se posicione no “top 10” do ranking nacional de emplacamentos ainda em 2023.

Experiência a bordo
Discreta elegância

Dentro da versão Highline do Polo 2023, painéis de porta dianteiros são forrados em tecido, assim como o apoio de braço. Um revestimento que imita fibra de carbono e atravessa o painel. Os bancos esportivos são inspirados na linha GTS. A versão traz uma lista de equipamentos que inclui o painel de instrumentos totalmente digital de 10,25 polegadas, o ar-condicionado Climatronic digital “touchscreen”, o carregamento de celular por indução, duas saídas USB do tipo C e o volante multifuncional com aletas para troca de marchas de forma sequencial. A coluna de direção oferece regulagem de altura e de profundidade, mas as alças de apoio acima das janelas foram suprimidas. O banco traseiro tem fácil acesso, porém, com espaço um tanto restrito para as pernas.

De série na Highline, o multimídia VW Play de 10,1 polegadas é moderno e passou a oferecer novas possibilidades de usabilidade no Polo 2023. Uma das novidades é o aplicativo “Abasteça Consciente”, que incentiva o uso do etanol e calcula emissões e consumo. Foram integrados ainda os apps “My Turner”, com canais de rádio do Brasil e de outros países, e o “Dry Wash”, com serviços e lavagem do veículo. Na conectividade, o Polo tem o “Meu VW Connect”, aplicativo que permite receber informações atualizadas do carro, como quilometragem total, nível de combustível, consumo médio e informações de viagens. Para abrir o porta-malas, é preciso usar o controle remoto em um botão na chave ou um comando na tela do multimídia – um botão convencional na tampa traseira facilitaria a vida.

Impressões ao dirigir
Germanicamente instigante

O propulsor 1,0 litro turbinado que a Volkswagen batizou de 170 TSI é menos exuberante em relação ao antigo 200 TSI das “tops” do Polo até a linha 2022 – entrega 9,4% menos potência e 17,8% menos torque. Apesar dos números inferiores, o 170 TSI está bem calibrado, se entende bem com o câmbio automático de 6 marchas e disponibiliza a faixa de torque em rotações menores (1.750 ante 2 mil giros). Por isso, o “powertrain” atual basta para empurrar sem dar sinais de cansaço os 1.174 quilos do hatch compacto, mantendo aquela sensação de consistência mecânica tradicional dos modelos germânicos, notável especialmente nas ultrapassagens e arrancadas. O turbo entra em ação sempre na hora certa e deixa o motorista confiante para manobras mais arrojadas. O zero a 100 km/h do Polo Highline pode ser cumprido em 10,5 segundos e a velocidade máxima de 192 km/h é atingida sem maiores dificuldades – basta encontrar um autódromo para acelerar com segurança.

O Polo herdou algumas das tradições dinâmicas do bom e velho Golf – que lhe valeram o apelido de “pequeno Golf” – e sempre foi um carro “bom de curva”. O modelo 2023, apesar de os discos no sistema de freios traseiro terem sido substituídos por tambores para reduzir o custo, continua a entregar bons resultados nos trechos sinuosos. O conjunto suspensivo bem ajustado transmite percepção de equilíbrio e segurança, além de absorver com eficiência os buracos e desníveis. Apesar do motor mais fraco e de ter alguns itens suprimidos, o hatch compacto da Volkswagen manteve a dirigibilidade acima da média. Itens de assistência semiautônoma, em alta nos lançamentos recentes – presentes no concorrente Hyundai HB20 Platinum Plus, que atua em uma faixa de preços bem próxima – não estão disponíveis no Polo Highline 170 TSI. Em temos de consumo de combustíveis, o Polo 2023 ficou mais econômico. De acordo com o Inmetro, na versão, o propulsor 170 TSI faz 9,6 km/l com etanol e 14 km/l com gasolina na cidade e 11,5 km/l com etanol e 16,4 km/l com gasolina na estrada. Números fáceis de se conseguir no uso cotidiano.

Ficha técnica
Volkswagen Polo Highline 170 TSI

Motor: três cilindros, 999 cm³, 12V, turbo, injeção direta e comando variável nas válvulas
Potência: 116 cavalos com etanol e 109 cavalos com gasolina
Torque: 16,8 kgfm (gasolina ou etanol)
Câmbio: automático de 6 marchas com modo manual
Tração: dianteira
Direção: elétrica
Suspensão: dianteira tipo MacPherson com barra estabilizadora, roda tipo independente e molas helicoidais. Traseira tipo eixo de torção, roda tipo semi-independente e molas helicoidais.
Carroceria: hatch compacto com quatro portas para cinco ocupantes
Dimensões: 4,07 metros de comprimento, 1,75 metro de largura, 1,47 metro de altura, 2,56 metros de entre-eixos
Rodas e pneus: 195/55 R16
Peso: 1.174 quilos
Tanque: 52 litros
Porta-malas: 300 litros
Preço da versão: R$ 111.990 mais R$ 1.650 da Cinza Platinum e mais R$ 1.650 do opcional “Kit Black”, disponível na versão avaliada

Leia esta matéria também na Gazeta de S. Paulo

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